Trump anuncia US$ 100 bilhões em investimentos de petroleiras dos EUA na Venezuela
EUA e Venezuela: US$ 100 bi em petróleo e fim de ataques

O cenário geopolítico entre os Estados Unidos e a Venezuela deu uma guinada significativa nesta sexta-feira, 9 de janeiro de 2026. O presidente americano, Donald Trump, anunciou um acordo de grande porte que promete redesenhar a relação bilateral, marcada por anos de sanções e tensões.

Um anúncio histórico nas redes sociais

Através de sua plataforma Truth Social, Trump fez uma série de revelações que surpreenderam observadores internacionais. A principal delas é o compromisso de grandes empresas petrolíferas dos Estados Unidos em investir "pelo menos 100 bilhões de dólares" na Venezuela. O valor, que supera os R$ 536 bilhões, será destinado à reconstrução e modernização da infraestrutura de petróleo e gás do país sul-americano.

O presidente americano confirmou ainda que se reunirá ainda nesta sexta-feira, na Casa Branca, com os representantes dessas companhias para discutir os detalhes do mega investimento.

Cooperação e gestos políticos

O anúncio dos investimentos veio acompanhado de um elogio público a um movimento do governo venezuelano. Trump classificou como "um gesto muito importante e inteligente" a decisão da presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, de libertar um "grande número de presos políticos".

Em sua publicação, ele conectou diretamente esse gesto à nova fase de cooperação entre as nações. "A Venezuela está libertando um grande número de presos políticos como sinal de 'busca pela paz'. Este é um gesto muito importante e inteligente. Os EUA e a Venezuela estão trabalhando bem juntos", escreveu Trump.

Mudança de rota: ataques cancelados, controle mantido

Como consequência direta dessa nova cooperação, Trump anunciou uma medida concreta de desescalada: o cancelamento de uma segunda onda de ataques que estava previamente prevista. "Parece não ser necessária", justificou. No entanto, deixou claro que as forças navais americanas permanecerão em seus postos por questões de segurança.

Esta mudança ocorre em um contexto de revisão da estratégia americana, mas não significa um afrouxamento total do controle. Na quarta-feira, 7 de janeiro, o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, já havia sinalizado que Washington manterá controle direto sobre as vendas de petróleo venezuelano por tempo indeterminado.

O plano é que os Estados Unidos supervisionem a comercialização da produção da Venezuela no mercado internacional, uma estratégia que, segundo o governo americano, visa pressionar por mudanças políticas no país.

Do embargo à parceria condicionada

Caso implementado, este novo modelo representará uma inflexão relevante na política externa dos EUA em relação a Caracas. Desde 2019, durante o primeiro mandato de Trump, Washington impôs um rigoroso regime de sanções, incluindo a estatal PDVSA (Petróleos de Venezuela).

Essas medidas, que se assemelharam a um bloqueio parcial, tiveram um impacto devastador:

  • Redução drástica da produção e exportação de petróleo, principal fonte de divisas do país.
  • Dificuldade para a saída de petroleiros carregados.
  • Acúmulo de óleo em tanques e navios ancorados.
  • Aprofundamento da crise econômica, com hiperinflação, escassez e migração em massa.

A declaração de Trump sobre os investimentos ocorreu um dia após ele anunciar que a Venezuela entregaria entre 30 milhões e 50 milhões de barris de petróleo aos Estados Unidos – volume equivalente a até dois meses de sua produção diária. Na ocasião, ele já havia adiantado que o governo americano controlaria os lucros obtidos com essas vendas.

O cenário que se desenha, portanto, é o de uma transição de um modelo puramente punitivo para uma parceria econômica condicionada e rigidamente supervisionada, onde a retomada da indústria petrolífera venezuelana anda de mãos dadas com concessões políticas e controle financeiro por parte de Washington.