Em uma decisão que marca uma nova guinada na política externa norte-americana, o presidente Donald Trump assinou um decreto determinando a retirada dos Estados Unidos de dezenas de organizações internacionais. A medida, anunciada pela Casa Branca nesta quarta-feira, 7 de janeiro de 2026, atinge um total de 66 entidades.
O alcance da ordem presidencial
O decreto assinado por Trump é abrangente e específico. De acordo com o comunicado oficial divulgado pela administração no X (antigo Twitter), a retirada envolve 31 organizações vinculadas às Nações Unidas e outras 35 entidades que não fazem parte do sistema ONU. A Casa Branca não listou publicamente os nomes de todas as organizações afetadas, mas justificou a ação afirmando que essas instituições "já não servem aos interesses nacionais" dos Estados Unidos.
Esta não é a primeira vez que Trump adota uma postura de distanciamento de fóruns multilaterais. Logo no início de seu segundo mandato, ele deu continuidade a uma política iniciada em seu primeiro governo, retirando Washington de acordos e agências-chave. Entre as saídas mais emblemáticas estão a do Acordo de Paris sobre o clima e da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) – esta última havia sido reincorporada pelos EUA durante a presidência de Joe Biden.
Impacto financeiro e operacional nas agências da ONU
A estratégia de Trump vai além da simples saída formal. Sua administração também promoveu cortes substanciais na ajuda americana ao exterior, o que teve um efeito cascata devastador no orçamento de várias agências das Nações Unidas. Sem os fundos dos EUA, que historicamente são um dos maiores contribuintes, organizações humanitárias vitais foram forçadas a reduzir drasticamente suas operações.
Entre as mais impactadas estão o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) e o Programa Mundial de Alimentos (PMA). A diminuição de recursos limitou sua capacidade de atuar em campo, afetando diretamente milhões de pessoas que dependem de assistência humanitária em regiões de conflito e crise.
Um ataque frontal ao multilateralismo
A postura do presidente americano em relação ao sistema internacional ficou clara em setembro passado, durante seu discurso na tribuna da Assembleia Geral da ONU. Na ocasião, Trump lançou uma crítica contundente à organização, declarando que ela está "muito longe de alcançar seu potencial".
O novo decreto parece ser a materialização prática dessa visão. Além das saídas já mencionadas, a administração Trump também encerrou a participação do país na Organização Mundial da Saúde (OMS), em um movimento que gerou polêmica global, especialmente no contexto de preparação para futuras pandemias.
A decisão de deixar 66 organizações internacionais consolida uma política externa americana marcadamente unilateral sob Trump, priorizando o que ele chama de "interesses nacionais" em detrimento da cooperação e da governança global. O impacto desta realinhamento nas relações internacionais e na capacidade de resposta a crises mundiais ainda está por ser completamente dimensionado.