Laura Fernández, linha-dura inspirada em Bukele, é eleita presidente da Costa Rica
Direitista linha-dura vence eleição na Costa Rica

Direitista linha-dura inspirada em Bukele vence eleição na Costa Rica

A Costa Rica elegeu sua nova presidente no domingo, dia 1º de fevereiro de 2026, com uma vitória expressiva já no primeiro turno. Laura Fernández, uma cientista política de 39 anos conhecida por sua postura linha-dura e inspiração no modelo de segurança pública do presidente salvadorenho Nayib Bukele, conquistou o eleitorado com a promessa de combater o narcotráfico com mão de ferro.

Vitória expressiva e celebração popular

Os primeiros resultados divulgados pelo Tribunal Supremo de Eleições (TSE) mostraram uma ampla vantagem de Fernández sobre seu principal opositor, o social-democrata Álvaro Ramos. A nova mandatária obteve 48,3% dos votos, oito pontos percentuais a mais do que o necessário para vencer no primeiro turno.

Milhares de apoiadores começaram a se reunir em comemoração assim que a vitória foi anunciada. Caravanas de veículos e festas de rua rapidamente se formaram em San José e outras cidades costarriquenhas, refletindo o entusiasmo popular por suas propostas.

Propostas de segurança inspiradas em Bukele

Fernández conduziu sua campanha com foco no combate ao narcotráfico, uma das principais reivindicações dos costarriquenhos. Entre as medidas apresentadas estão:

  • Aumento de penas para crimes relacionados ao tráfico de drogas
  • Reforma dos poderes do Estado para fortalecer a segurança pública
  • Decreto de estados de exceção em zonas de conflito
  • Construção de uma penitenciária inspirada no CECOT, a temida megaprisão salvadorenha reservada a membros de gangues

"Gosto do projeto da prisão dela. A violência explodiu porque estão mexendo com os chefes, como tirar as ratazanas dos esgotos", explicou a escriturária Jéssica Salgado, de 27 anos, à agência de notícias AFP.

Cenário de criminalidade crescente

A Costa Rica, que por anos foi considerada um dos países mais seguros do continente, registrou um aumento significativo na criminalidade nos últimos anos. Durante a administração do atual presidente, Rodrigo Chaves (centro-direita), a taxa de homicídios atingiu um índice recorde de 17 por 100 mil habitantes, com sete em cada dez mortes ligadas ao narcotráfico.

Chaves atribuiu a responsabilidade ao Poder Judiciário, que, segundo ele, "favorece a impunidade dos criminosos". O apoio do atual presidente à nova mandatária é visto como um sinal de continuidade nas políticas de segurança, mas também gera desconfiança entre opositores.

Alerta para riscos autoritários

Enquanto muitos costarriquenhos enxergam a postura linha-dura de Fernández como uma solução para os problemas de segurança, críticos alertam para os riscos envolvendo suas propostas. A oposição vê as medidas da conservadora, notadamente a proposta de reforma constitucional, como parte de um plano para concentrar o poder nas próprias mãos.

"A primeira coisa que os ditadores querem é reformar a Constituição para se manter no poder", afirmou o ex-presidente da Costa Rica Óscar Arias, vencedor do Nobel da Paz de 1987.

Alguns opositores apontam que o mandato de Fernández pode pavimentar o retorno de seu mentor à presidência, uma vez que, na Costa Rica, o chefe de Estado deve esperar dois mandatos antes de voltar a se candidatar.

Consolidação da direita na América Latina

O sucesso de Fernández consolida um giro à direita na América Latina, com vitórias recentes em países como Peru, Chile e Bolívia. A nova presidente tomará posse no dia 8 de maio e será a segunda mulher a governar a Costa Rica, após Laura Chinchilla, que também obteve uma vitória no primeiro turno em 2010.

Eleita para um mandato de quatro anos, Fernández chega à presidência com maioria no legislativo, com 30 parlamentares, mas ainda insuficiente para promover a reforma constitucional que almeja sem apoio adicional.