Democratas acusam Lutnick de acobertar Epstein em depoimento fechado
Democratas acusam Lutnick de acobertar Epstein

O secretário do Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, compareceu nesta quarta-feira, 6, na Câmara dos Representantes para responder perguntas sobre sua relação com Jeffrey Epstein, bilionário acusado de tráfico sexual de adolescentes que cometeu suicídio na prisão em 2019. Trata-se do primeiro membro do governo de Donald Trump, que também foi amigo de Epstein, a testemunhar perante o Comitê de Supervisão da Câmara sobre o financista. Os democratas acusam Lutnick de ter mentido, de forma a acobertar os crimes sexuais.

O depoimento ocorreu a portas fechadas, com uma transcrição a ser disponibilizada em breve. No final do ano passado, o Comitê passou a divulgar milhares e milhares de arquivos do caso Epstein, após sanção de uma lei que permitiu a publicação dos documentos — muitos deles, no entanto, foram bloqueados ou tiveram partes cobertas por tarjas pretas para proteger a identidade das vítimas. Entre os dossiês, estavam registros de conversas entre Lutnick e Epstein mesmo após o bilionário ter sido condenado por aliciar uma menor para prostituição. O secretário também já admitiu ter visitado uma das ilhas particulares de Epstein, palco de abusos sexuais de menores de idade, em 2012.

Reações dos democratas

Após o término da audiência, os democratas criticaram a postura do escolhido de Trump. “Agora sabemos por que aquela entrevista não foi gravada em vídeo. Se Donald Trump tivesse visto a transcrição do vídeo, teria demitido Howard Lutnick”, disparou Ro Khanna, congressista democrata da Califórnia. ‘Foi só contorcionismo e mentiras… Ele fez uma farsa da língua inglesa.”

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A dura desaprovação foi ecoada por Suhas Subramanyam, congressista democrata da Virgínia, que defendeu que “Howard Lutnick deveria renunciar”, acrescentando: “O que acabamos de ouvir naquela sala foi absolutamente incompreensível. Ele estava evasivo, nervoso e desonesto”.

Evidências de contato

Embora os arquivos não neguem que Lutnick manteve contato com Epstein, ele chegou a dizer aos legisladores que “não tinha nenhum relacionamento com ele”. Para além da viagem, marcação em uma agenda de Epstein mostra que eles almoçaram juntos em 2011. Epstein conviveu com milionários de Wall Street, membros da realeza (notadamente, o príncipe Andrew) e celebridades antes de se declarar culpado de exploração sexual de menores em 2008. As acusações que o levaram à prisão em 2019 ocorreram mais de uma década após um acordo judicial que o protegia. Ele foi encontrado morto por enforcamento pouco mais de um mês após parar atrás das grades.

Relação Trump-Epstein

A relação entre Trump e Epstein, por sua vez, é antiga: eles faziam parte de círculos sociais de elite de Nova York e da Flórida. Em 2002, Trump disse à revista New York que o financista era “fantástico” e “muito divertido de se estar por perto”. Ele também contou que a dupla se conhecia há 15 anos, acrescentando: “Dizem até que ele gosta de mulheres bonitas tanto quanto eu, e muitas delas são do tipo mais jovem”.

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