O deputado estadual Flávio Serafini (PSOL) protocolou na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), nesta quarta-feira, 6, um requerimento para a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) com o objetivo de investigar os investimentos do Rioprevidência e da Cedae no Banco Master e em empresas coligadas ou subsidiárias. O pedido conta com 24 assinaturas, superando o mínimo necessário de um terço dos deputados, e a CPI deve ser criada em até 48 horas.
Apoio de diferentes espectros políticos
A comissão obteve apoio não apenas de deputados da esquerda e do PSD, que compõem a oposição na Casa, mas também de dois parlamentares do PL e um do PP, que integravam a base do governo Cláudio Castro (PL). Esse apoio diversificado demonstra a transversalidade da preocupação com os investimentos públicos no Banco Master.
Valores sob investigação
De acordo com cálculos do gabinete de Serafini, o fundo de aposentadorias e pensões do estado do Rio de Janeiro, o Rioprevidência, investiu R$ 2,6 bilhões no grupo Master. Já a Cedae aplicou R$ 200 milhões na instituição financeira. O requerimento da CPI afirma que o objetivo é avaliar o impacto dessas operações para servidores, aposentados e pensionistas fluminenses.
“A necessidade de investigação é imediata diante da liquidação do Banco Master pelo Banco Central. Este evento potencializa radicalmente os riscos e impactos sobre os ativos do Rioprevidência, dos quais dependem milhares de servidores, aposentados e pensionistas do Rio de Janeiro”, declarou o deputado. Serafini já havia levado o caso do Rioprevidência à Polícia Federal em novembro de 2025.
Antecedentes e preocupações
O ex-presidente da autarquia, Deivis Marcon Antunes, foi preso em fevereiro pela Polícia Federal sob suspeita de ocultação de patrimônio e obstrução das investigações. O governador em exercício, desembargador Ricardo Couto, que realiza um pente-fino no governo, nomeou procuradores para o comando do Rioprevidência e da Cedae.
Um dos pontos mais preocupantes apontados pelo autor do pedido de CPI — que já presidiu uma comissão parlamentar sobre o Rioprevidência entre 2019 e 2021 — é o superendividamento de servidores e pensionistas devido a contratos envolvendo o Master e o Credcesta, um cartão de benefício consignado voltado a aposentados e pensionistas.
Assinaturas do requerimento
Assinam o requerimento de CPI os deputados: Renata Souza, Dani Monteiro, Professor Josemar e Yuri Moura (PSOL); Elika Takimoto, Zeidan, Verônica Lima, Renato Machado e Marina do MST (PT); Lílian Bhering e Dani Balbi (PCdoB); Martha Rocha e Vitor Júnior (PDT); Jari Oliveira e Carlos Minc (PSB); Luiz Paulo, Vinícios Cozzolino, Célia Jordão e Carla Machado (PSD); Índia Armelau e Márcio Gualberto (PL); e André Correia (PP).



