Milhares de cidadãos cubanos tomaram as ruas em frente à Embaixada dos Estados Unidos em Havana nesta sexta-feira, 16 de janeiro de 2026, em um protesto massivo convocado pelo governo. A manifestação denunciou a morte de 32 policiais cubanos durante uma incursão militar norte-americana em território venezuelano e exigiu a libertação imediata do ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.
Marcha de Luto e Protesto em Havana
O ato, carregado de simbolismo patriótico, contou com a presença do presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, que discursou para a multidão. Os manifestantes carregavam bandeiras nacionais e entoavam o hino do país, transformando o protesto em uma demonstração de força e unidade. Logo após o discurso presidencial, a concentração se transformou na tradicional "marcha de combatentes", um costume que remonta à era de Fidel Castro.
Um dos momentos mais emocionantes foi a passagem de uma fila de pessoas portando fotografias dos 32 oficiais mortos, homenageados como heróis. Os gritos de "Abaixo o imperialismo! Cuba prevalecerá!" ecoaram pelo local. Os restos mortais dos policiais haviam chegado a Cuba na quinta-feira, 15 de janeiro, e seus sepultamentos estavam programados para a tarde do próprio dia do protesto.
Discurso Firme de Díaz-Canel e Ameaças de Trump
Em seu pronunciamento, o líder cubano foi contundente nas críticas a Washington. "O atual governo dos EUA abriu as portas para uma era de barbaridade, roubo e neofascismo", afirmou Díaz-Canel. Ele deixou claro que Cuba não fará concessões políticas em troca de um entendimento bilateral, posicionando-se aberto ao diálogo apenas com base na igualdade e no respeito mútuo. "Ninguém aqui se rende", complementou.
A manifestação ocorreu em um contexto de crescentes ameaças. No domingo anterior, o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia exigido que o governo cubano fechasse um acordo com ele antes que fosse "tarde demais". Na mesma ocasião, Trump ameaçou cortar o envio de petróleo e capital venezuelano para a ilha, uma medida que especialistas alertam poder ter consequências severas, dado o histórico de crises energéticas em Cuba.
O Pano de Fundo: A Operação em Caracas
Os 32 policiais cubanos mortos integravam a equipe de segurança pessoal de Nicolás Maduro na Venezuela. Eles foram mortos durante uma operação militar conduzida pelos Estados Unidos em Caracas. O objetivo declarado da ação era capturar Maduro e levá-lo para julgamento em solo norte-americano, sob acusações de envolvimento com tráfico internacional de drogas.
Este episódio representa um ponto crítico na longa e conturbada relação entre Washington e Havana. Os Estados Unidos mantêm um rigoroso regime de sanções econômicas contra Cuba desde a década de 1960, com o objetivo declarado de pressionar pelo fim do sistema comunista de partido único. Essas sanções foram significativamente intensificadas durante o mandato de Donald Trump.
O protesto em Havana foi a culminação pública de uma semana de tensão. Na quinta-feira, um dia antes, milhares de cubanos já se haviam reunido na sede do Ministério das Forças Armadas Revolucionárias para uma homenagem solene aos policiais falecidos. A sequência de eventos demonstra uma escalada preocupante nas hostilidades, com Cuba assumindo uma postura pública de confronto direto em defesa de seu aliado venezuelano e contra a política externa norte-americana.