Colômbia reage a ameaças de Trump e afirma que Forças Armadas defenderão soberania
Colômbia responde a ameaças de Trump com defesa da soberania

O governo da Colômbia reagiu com firmeza nesta terça-feira, 6 de janeiro de 2026, às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que insinuaram uma possível ação militar contra o país. A resposta oficial veio através da chanceler Rosa Villavicencio, que deixou claro o compromisso das Forças Armadas colombianas em defender a integridade territorial nacional.

Resposta oficial e princípio de legítima defesa

Em entrevista coletiva, a ministra das Relações Exteriores da Colômbia foi enfática. "A Colômbia é um Estado soberano. Se houver qualquer ataque ao nosso território, nossas forças militares têm o dever constitucional de reagir", declarou Villavicencio. A autoridade fundamentou a posição no princípio da legítima defesa, previsto no direito internacional.

As declarações da chanceler foram uma reação direta às palavras de Trump proferidas no domingo. O presidente americano afirmou que a operação militar que resultou na captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, deveria servir de "aviso" a governos da região que, em sua avaliação, ameaçam os interesses estratégicos dos Estados Unidos. Embora não tenha nomeado alvos específicos, Trump mencionou a Colômbia em um discurso para aliados republicanos, o que gerou alarme imediato em Bogotá.

Tensão na fronteira e reações regionais

O clima de apreensão é palpável na fronteira entre Colômbia e Venezuela, especialmente na região de Cúcuta. Desde a ofensiva americana na Venezuela, a área voltou a registrar movimentação incomum. Há relatos de deslocamento de civis, presença reforçada de tropas colombianas e circulação de veículos militares. Imagens de agências internacionais mostram soldados colombianos em estado de alerta próximo à linha divisória.

A situação fez outros governos latino-americanos se posicionarem. México e Chile condenaram o uso da força sem autorização internacional. O Brasil, por sua vez, defendeu uma solução diplomática e alertou para os riscos de uma escalada militar no continente. A estratégia colombiana, conforme delineada por sua chanceler, é reafirmar a soberania sem romper os canais de diálogo com Washington. "A Colômbia continuará defendendo a paz, o direito internacional e a autodeterminação dos povos", afirmou Villavicencio.

Relação histórica em xeque e análise de especialistas

Apesar da retórica firme, o governo colombiano tenta equilibrar a resposta. Tradicionalmente um dos principais aliados dos Estados Unidos na América do Sul, a Colômbia abriga bases militares americanas e mantém uma longa cooperação em áreas como combate ao narcotráfico e inteligência. No entanto, analistas ouvidos pela imprensa local avaliam que as ameaças públicas de Trump representam uma ruptura simbólica com a lógica de parceria estratégica construída desde os anos 2000.

Especialistas em relações internacionais alertam que a ameaça de ação militar contra um aliado regional cria um precedente diplomático perigoso. Eles apontam que isso aumenta o risco de instabilidade em uma área já marcada por crises humanitárias e fluxos migratórios intensos.

O Ministério da Defesa da Colômbia optou por não comentar cenários operacionais específicos. Fontes militares afirmaram que não há indícios concretos de movimentação das forças americanas contra o território colombiano. Ainda assim, o governo de Gustavo Petro reforçou que monitora com atenção os desdobramentos da ofensiva dos EUA na Venezuela e seus possíveis impactos na segurança de toda a região.