Galípolo e 10 chefes de BCs globais defendem Powell em carta contra Trump
BCs globais apoiam Powell em carta contra investigação de Trump

O presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, uniu-se a dez dos principais líderes de bancos centrais do mundo para expressar solidariedade total a Jerome Powell, chefe do Federal Reserve (Fed) dos Estados Unidos. O apoio surge em meio a uma investigação aberta pelo Departamento de Justiça do governo de Donald Trump contra Powell, por suposto perjúrio.

Uma carta em defesa da autonomia monetária

Na carta divulgada nesta terça-feira, 13 de janeiro de 2026, os onze signatários foram enfáticos ao destacar a importância crucial da independência dos bancos centrais para a estabilidade econômica e financeira global. O documento é uma resposta direta à abertura de um processo contra Powell, que o próprio descreveu como parte de uma campanha de assédio político.

"A independência dos bancos centrais é um pilar fundamental da estabilidade de preços, financeira e econômica, no interesse dos cidadãos que servimos. Portanto, é crucial preservar essa independência, com pleno respeito ao Estado de Direito e à responsabilidade democrática", afirma trecho da carta.

O embate político que motivou a reação

O conflito entre Trump e Powell, a quem o ex-presidente nomeou para o cargo em 2018, intensificou-se nos últimos meses. Trump tem criticado publicamente Powell por considerar que o Fed não reduziu as taxas de juros com a rapidez que ele desejava. Em suas declarações, Trump chegou a insultar o presidente do banco central, chamando-o de "imbecil" e "grande perdedor".

A situação escalou quando Powell divulgou um vídeo confirmando a investigação do Departamento de Justiça. "A questão é se o Fed será capaz de continuar definindo as taxas de juros com base em evidências e nas condições econômicas, ou se, em vez disso, a política monetária será dirigida por pressão política e intimidação", declarou Powell no comunicado em vídeo.

Quem assinou a carta de apoio

Além de Gabriel Galípolo, do BCB, a carta foi assinada por uma coalizão de peso das principais autoridades monetárias do planeta:

  • Andrew Bailey, presidente do Banco da Inglaterra
  • Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu
  • Erik Thedéen, presidente do Sveriges Riksbank (Suécia)
  • Christian Kettel Thomsen, presidente do Danmarks Nationalbank (Dinamarca)
  • Martin Schlegel, presidente do Banco Nacional Suíço
  • Michele Bullock, presidente do Reserve Bank of Australia
  • Tiff Macklem, presidente do Banco do Canadá
  • Chang Yong Rhee, presidente do Banco da Coreia
  • François Villeroy de Galhau, presidente do Banco de Compensações Internacionais
  • Pablo Hernández de Cos, diretor-geral do Banco de Compensações Internacionais

No texto, os signatários atestaram a integridade e o compromisso inabalável com o interesse público de Powell, referindo-se a ele como um "colega respeitado e altamente estimado".

Repercussão e cenário futuro

O apoio a Powell não se limitou aos bancos centrais atuais. Três ex-presidentes do Fed – Janet Yellen, Ben Bernanke e Alan Greenspan – também se manifestaram publicamente em sua defesa, assim como diversos outros ex-funcionários de alto escalão da instituição.

O mandato de Jerome Powell à frente do Fed tem término previsto para maio de 2026. A expectativa no mercado é que Donald Trump, caso mantenha a pressão, anuncie um nome para sucedê-lo nas próximas semanas. A carta dos onze presidentes de bancos centrais, incluindo o brasileiro Galípolo, representa um raro e forte sinal de união do setor monetário global em defesa de um princípio considerado basilar: a autonomia para definir a política de juros longe de interferências políticas de curto prazo.