Argentina de Milei pode enviar tropas ao Oriente Médio se EUA solicitarem apoio contra Irã
Argentina pode enviar tropas ao Oriente Médio se EUA pedirem

O governo do presidente argentino Javier Milei sinalizou que poderia enviar tropas ao Oriente Médio para apoiar os Estados Unidos em um eventual conflito com o Irã, caso o governo de Donald Trump solicite formalmente tal assistência. A declaração foi feita pelo porta-voz da presidência, Javier Lanari, em entrevista ao jornal El Mundo nesta quarta-feira (18).

Alinhamento estratégico com Washington e Israel

Lanari deixou claro que a Argentina está disposta a cooperar com os norte-americanos. "Se os Estados Unidos solicitarem, sim. Qualquer tipo de ajuda que considerarem necessária será fornecida", afirmou o porta-voz presidencial. Embora ainda não exista um pedido oficial de Washington, a sinalização indica que Milei dificilmente recusaria apoio a Trump nesse cenário de tensão internacional.

Esta postura reflete o forte alinhamento que o governo argentino tem reforçado com os Estados Unidos e com Israel nos últimos meses. Recentemente, a Argentina formalizou sua saída da Organização Mundial da Saúde (OMS), seguindo os passos dos EUA, que fizeram o mesmo em janeiro. Além disso, o país voltou a classificar oficialmente o Irã como "inimigo", acirrando as relações já deterioradas entre Buenos Aires e Teerã.

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Discurso em cerimônia histórica

Durante um evento que marcou o 34º aniversário do atentado à embaixada de Israel em Buenos Aires – que matou 29 pessoas e feriu 200 em 1992 –, o presidente Milei reforçou publicamente seu posicionamento. "A Argentina combate o terrorismo e defende a liberdade. Israel é um aliado estratégico do nosso país", declarou o mandatário na Praça da Embaixada de Israel.

A comunidade judaica na Argentina soma aproximadamente 300 mil pessoas, constituindo a maior da América Latina e uma das mais significativas em todo o mundo. Este contexto histórico e demográfico ajuda a explicar a proximidade entre os dois países.

Tensões históricas com o Irã

As relações entre Argentina e Irã são marcadas por décadas de desconfiança e conflito. Em 1994, um atentado contra a Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA) deixou 85 mortos na capital argentina. A Justiça do país atribui a responsabilidade pelo ataque ao governo iraniano, que sempre negou qualquer envolvimento nos fatos.

Após as recentes declarações de Milei, a tensão voltou a subir consideravelmente. Em artigo publicado pelo Tehran Times, jornal ligado ao regime iraniano, o país acusou a Argentina de se alinhar excessivamente aos Estados Unidos e a Israel, afirmando que essa postura "cruza uma linha vermelha imperdoável". O texto também sugeriu que o Irã deve dar uma "resposta proporcional" às declarações do presidente argentino, aumentando as preocupações sobre uma possível escalada diplomática ou militar.

Contexto político e econômico

Vale destacar que o apoio argentino aos Estados Unidos ocorre em um momento delicado nas relações bilaterais. Recentemente, Donald Trump condicionou uma ajuda financeira de US$ 20 bilhões à Argentina à vitória eleitoral de Javier Milei, demonstrando a interdependência entre os dois governos em questões econômicas e políticas.

Analistas internacionais observam que a disposição de Buenos Aires em enviar tropas ao Oriente Médio representa uma mudança significativa na política externa tradicional argentina, que historicamente mantinha uma postura mais neutra em conflitos regionais distantes. Esta nova orientação pode ter implicações profundas para o equilíbrio de poder na América Latina e nas relações internacionais globais.

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