Acordo UE-Mercosul é assinado após 25 anos: Lula e Von der Leyen celebram
Acordo UE-Mercosul assinado após 25 anos de negociação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, celebraram nesta sexta-feira, 16 de janeiro de 2026, a conclusão das negociações do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. O anúncio ocorreu durante uma reunião no Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro, véspera da assinatura formal do pacto que demorou 25 anos para ser concluído.

Um marco histórico após um quarto de século

Em declaração conjunta, os dois líderes destacaram a magnitude do acordo. Lula classificou o longo período de negociações como "25 anos de sofrimento", mas celebrou a criação de uma das maiores áreas de livre comércio do planeta. O pacto unirá um mercado de cerca de 720 milhões de pessoas e somará um Produto Interno Bruto (PIB) conjunto na casa dos US$ 22 trilhões.

O mandatário brasileiro enfatizou que o entendimento vai além da esfera econômica. "A União Europeia e o Mercosul compartilham valores como respeito à democracia, ao Estado de Direito e aos direitos humanos", afirmou Lula, acrescentando que o acordo fomentará a cooperação em temas trabalhistas e ambientais.

Von der Leyen, por sua vez, agradeceu a liderança pessoal de Lula nas tratativas finais e definiu o acordo como "uma conquista de uma geração inteira". A cerimônia oficial de assinatura está marcada para o sábado, 17 de janeiro, em Assunção, no Paraguai, país que detém a presidência rotativa do bloco sul-americano. Lula será representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.

Os detalhes do pacto e a rota crítica pela frente

O acordo, em negociação desde 1999, visa eliminar tarifas sobre mais de 90% do comércio bilateral entre os blocos. Para nações europeias como Alemanha e Espanha, ele é visto como vital para diversificar mercados, reduzir a dependência comercial da China e contornar barreiras impostas pelos Estados Unidos.

No entanto, o caminho para a plena vigência do tratado é cheio de obstáculos. Apesar de uma manobra legal do Chipre, que ocupa a presidência rotativa da UE, permitir uma aplicação provisória, a ratificação final depende do Parlamento Europeu.

Nesse cenário, a oposição é significativa:

  • A França lidera a resistência, temendo impactos negativos sobre seu setor agrícola. A ministra da Agricultura francesa, Annie Genevard, já adiantou que a batalha parlamentar continuará.
  • Grupos ambientalistas, como os Amigos da Terra, pressionam os eurodeputados, alegando que o pacto tem potencial "devastador para o clima".
  • Cerca de 150 dos 720 eurodeputados ameaçam levar o caso à Justiça europeia para impedir a implementação.

Previsões e incertezas no legislativo europeu

A votação no Parlamento Europeu, necessária para a entrada em vigor integral do acordo, promete ser acirrada e está cercada de incertezas devido à volatilidade das coalizões partidárias. Bernd Lange, presidente da Comissão de Comércio do órgão, manifestou confiança na aprovação, projetando uma votação final para abril ou maio.

Enquanto isso, a aplicação provisória do acordo ainda precisa do aval de pelo menos um país membro do Mercosul. O bloco sul-americano é formado por Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e, mais recentemente, a Bolívia.

O momento marca um ponto de virada após décadas de discussão, mas o capítulo final desta longa negociação ainda será escrito nos corredores e plenários de Bruxelas, onde interesses econômicos, preocupações ambientais e debates sobre soberania se encontrarão em uma decisão crucial para o futuro das relações entre os dois continentes.