Pesquisa: 51% dos brasileiros apoiam operação dos EUA na Venezuela
51% dos brasileiros apoiam ação dos EUA na Venezuela

Uma pesquisa realizada pelo instituto Ipsos-Ipec revelou que a maioria dos brasileiros concorda com a intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na deposição e prisão do presidente Nicolás Maduro. O levantamento, divulgado na segunda-feira, 19 de janeiro de 2026, mostra um país dividido em suas percepções sobre a ação geopolítica, com opiniões que variam drasticamente conforme perfil socioeconômico, religião e preferência política.

Os números do apoio e os perfis dos simpatizantes

De acordo com os dados, 51% dos entrevistados concordam com a operação norte-americana. Em contrapartida, 28% discordam total ou parcialmente da ação. Outros 6% se declararam neutros, nem concordando nem discordando, e 15% preferiram não se manifestar sobre o assunto.

O estudo, que ouviu 2.000 pessoas em 130 municípios brasileiros entre os dias 10 e 14 de janeiro, identificou grupos onde o apoio é mais expressivo. O índice sobe para 62% entre aqueles com renda familiar superior a cinco salários mínimos e para 61% entre os evangélicos. A faixa etária de 25 a 34 anos (60%) e os homens (58%) também apresentam índices de aprovação acima da média nacional.

A divisão política, no entanto, é a mais marcante. Entre os eleitores do ex-presidente Jair Bolsonaro no pleito de 2022, o apoio à operação dos EUA chega a 73%. Já entre os que votaram no presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apenas 34% concordam com a intervenção. Regionalmente, os moradores do Nordeste se mostram os mais contrários, com 35% de reprovação.

Desconfiança sobre os motivos reais da intervenção

Apesar do apoio pragmático à queda de Maduro, os brasileiros demonstram ceticismo em relação às intenções por trás da ação liderada pelo governo de Donald Trump. Quando questionados sobre o principal motivo da operação, as respostas se fragmentaram.

Para 26% dos entrevistados, o objetivo central dos EUA era assumir o controle do petróleo e dos recursos naturais venezuelanos. Esta visão é mais comum entre brasileiros com maior grau de instrução e renda. Já 22% acreditam que a ação teve como propósito defender a democracia e os direitos humanos no país caribenho, uma posição mais frequente entre evangélicos e eleitores de Bolsonaro.

O combate ao narcotráfico, justificativa oficial apresentada pela Casa Branca, foi apontado como principal motivo por apenas 18% dos brasileiros. Outros 6% citaram a garantia da segurança nacional americana, e outros 6% o enfraquecimento de governos de esquerda na América Latina. Um quarto dos participantes (23%) não soube opinar sobre as razões.

Neutralidade brasileira e percepção de risco

Quando o assunto é o posicionamento do Brasil frente ao episódio, a opinião é mais clara: dois em cada três brasileiros (66%) defendem que o país se mantenha neutro. Apenas 17% acreditam que o governo Lula deveria apoiar abertamente a ação, e uma minoria de 9% defende que o Brasil deveria se posicionar contra.

A pesquisa também investigou o temor de uma operação similar em solo nacional. A maioria dos brasileiros (57%) afirma não ter medo algum de que isso aconteça. No entanto, 37% demonstram algum nível de preocupação, sendo que 14% confessam ter muito medo e 23%, um pouco de receio.

Quanto aos possíveis efeitos para o Brasil, as opiniões se dividem: 29% acreditam que a ação trará consequências negativas para o país, 23% enxergam impactos positivos e 28% avaliam que não haverá nenhuma consequência significativa.

Marcia Cavallari, head da Ipsos-Ipec, analisa os dados como a expressão de uma dualidade. "Por um lado, há um apoio pragmático a uma ação de força contra um regime visto como autoritário. Por outro, há uma desconfiança histórica sobre as reais intenções de intervenções geopolíticas na América Latina, com o interesse econômico sendo visto como o principal motor", concluiu.