Documentos fiscais obtidos pelo jornal francês Le Monde revelaram que o presidente da FIFA, Gianni Infantino, recebeu um total de US$ 6,1 milhões (cerca de R$ 32,3 milhões) da entidade máxima do futebol mundial ao longo do ano de 2024. A informação, baseada em declarações de imposto de renda enviadas ao fisco dos Estados Unidos, mostra a composição detalhada dos ganhos do dirigente ítalo-suíço.
Composição da remuneração milionária
Conforme a análise feita pelo periódico francês, a quantia recebida por Infantino em 2024 é dividida em várias parcelas. O valor inclui US$ 2,9 milhões (R$ 15,6 milhões) em salários e US$ 1,8 milhão (R$ 9,7 milhões) em bônus. Além disso, foram contabilizados US$ 1,15 milhão (R$ 6,2 milhões) em "outras remunerações declaráveis" e mais US$ 155 mil (R$ 834,5 mil) referentes a "pensão e outras remunerações diferidas".
Os rendimentos do presidente da FIFA são determinados pelo Subcomitê de Remuneração da própria organização. A entidade afirmou ao Le Monde que, como parte de seu compromisso legal com a transparência, publica anualmente os valores pagos aos principais membros da gestão. No entanto, detalhes sobre contribuições para previdência social, aposentadoria, seguros e outros benefícios contratuais não são divulgados no relatório anual.
Evolução salarial desde a substituição de Blatter
A trajetória de ganhos de Gianni Infantino à frente da FIFA mostra um crescimento expressivo ao longo dos anos. Quando assumiu o cargo em meados de 2016, após o afastamento do suíço Joseph Blatter em meio a um escândalo de corrupção, o Subcomitê de Remuneração fixou seu salário anual em US$ 1,8 milhão (R$ 9,7 milhões).
Para efeito de comparação, em 2015, a FIFA havia declarado ao IRS (Receita Federal dos EUA) um pagamento total de US$ 3,6 milhões a Joseph Blatter, sendo US$ 2,9 milhões de salário-base e US$ 435 mil em bônus.
Os documentos fiscais analisados indicam que, após as Copas do Mundo de 2018, na Rússia, e de 2022, no Catar, e também após a reeleição de Infantino em 2023, seus custos para a FIFA aumentaram significativamente. Em 2022, o valor total foi de US$ 3,6 milhões (R$ 19,4 milhões), saltando para US$ 4,1 milhões (R$ 22 milhões) em 2023, até chegar aos US$ 6,1 milhões em 2024.
Futuro e terceiro mandato
Gianni Infantino, que atualmente tem 55 anos, mantém uma relação próxima com o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aproximação que se intensificou nos últimos meses devido à realização da Copa do Mundo no país. O dirigente ainda pode buscar um terceiro mandato à frente da FIFA no próximo ano, o que potencialmente estenderia sua permanência no comando da entidade até o ano de 2031.
Esta possibilidade coloca ainda mais holofotes sobre a governança e as políticas de remuneração da instituição que comanda o esporte mais popular do planeta. A revelação dos valores pelo Le Monde reacende o debate sobre transparência e os padrões financeiros dentro das grandes organizações esportivas internacionais.