Polícia Federal veta gravações de série em aeroportos por questões de segurança
A Polícia Federal determinou a proibição das gravações da nova temporada da série "Aeroporto: Área Restrita" em aeroportos brasileiros. A decisão, baseada em riscos potenciais à segurança das operações e dos passageiros abordados, representa um revés significativo para a produção que acompanha os bastidores da atuação de agentes da Receita Federal, Anvisa e Ibama em terminais aéreos.
Justificativa da PF e impacto nas filmagens
Segundo nota oficial da corporação, as áreas restritas dos aeroportos são classificadas como "zonas prioritárias de risco", sujeitas a controles rigorosos de acesso. A PF argumenta que atividades de entretenimento ou produção audiovisual não se enquadram nesses critérios, destacando que a presença permanente de equipes de filmagem compromete princípios como a preservação da intimidade, imagem e presunção de inocência dos cidadãos.
As gravações da oitava temporada, iniciadas em dezembro de 2025, haviam sido autorizadas nos aeroportos de Viracopos (Campinas-SP), Galeão (RJ) e Pinto Martins (Fortaleza-CE). No entanto, em janeiro de 2026, o credenciamento para o Aeroporto de Guarulhos (SP) foi indeferido, e os acessos já concedidos nos demais terminais foram cassados.
Contestação da produtora e histórico do programa
A produtora Moonshot, responsável pela edição brasileira, contestou veementemente a decisão. Em nota, a empresa afirmou que, ao longo de sete temporadas consecutivas desde 2016, a Polícia Federal analisou e aprovou as credenciais de todos os profissionais, permitindo filmagens integrais sem registros de incidentes ou comprometimento da segurança aeroportuária.
O programa, exibido na plataforma de streaming HBO Max, ganhou fama por exibir cenas como apreensões de drogas, operações táticas especiais e flagras de passageiros suspeitos de irregularidades. A Moonshot destacou ainda o caráter educativo e informativo da produção, pedindo a revogação da proibição.
Posicionamento institucional e implicações legais
A Polícia Federal enfatizou que a decisão não busca criar "disputas institucionais" com a Receita Federal, principal enfoque do programa. A corporação reafirmou sua responsabilidade constitucional pela supervisão da segurança aeroportuária, que prevalece em Áreas Restritas de Segurança, inclusive em recintos alfandegados.
A nota da PF citou normas como o Programa Nacional de Segurança da Aviação Civil (PNAVSEC) e regulamentações da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), que vedam expressamente o registro de imagens de procedimentos e infraestruturas sensíveis. Até o momento, a Receita Federal e outras entidades envolvidas não se pronunciaram sobre o caso.
O impasse coloca em evidência o equilíbrio entre transparência midiática e segurança operacional em ambientes críticos, com desdobramentos que podem influenciar futuras produções audiovisuais em espaços similares.