Ex-deputado é preso em flagrante pela Polícia Federal em Boa Vista
O ex-deputado estadual Masamy Eda foi preso em flagrante nesta terça-feira (27) pela Polícia Federal durante uma operação que investiga fraudes em licitações para o fornecimento de merenda escolar na Secretaria de Educação de Roraima. A prisão ocorreu após ele tentar se desfazer de dois celulares arremessando-os pela janela de sua casa, em uma clara tentativa de ocultar evidências.
Liberação após pagamento de fiança não revelada
Após a detenção, Masamy Eda pagou fiança e foi liberado pela Justiça Federal. O juiz Victor Oliveira de Queiroz, da 4ª Vara Federal Criminal, autorizou a soltura, mas o valor da fiança não foi divulgado no documento judicial. A defesa do ex-parlamentar emitiu uma nota afirmando que ele sempre agiu dentro da lei e que a investigação deve ser arquivada por falta de provas concretas.
Detalhes da prisão por fraude processual
De acordo com a Polícia Federal, a prisão foi decretada porque Masamy Eda, ao perceber a chegada dos agentes para cumprir um mandado de busca e apreensão, arremessou dois aparelhos celulares pela janela do quarto para um terreno vizinho. Essa atitude foi interpretada como uma tentativa de atrapalhar as investigações e configurou o crime de fraude processual. Os celulares foram posteriormente localizados e apreendidos.
O delegado responsável pela operação destacou que a ação visava impedir a coleta de elementos probatórios. Após a conclusão da diligência, Masamy Eda foi conduzido à Superintendência da PF, onde foi autuado em flagrante.
Contexto da Operação Escama e investigações anteriores
Esta prisão faz parte da segunda fase da Operação Escama, que também teve como alvo o primo do ex-deputado, o empresário Hemyson Eda. Os mandados de busca e apreensão contra Masamy Eda já haviam sido expedidos na última sexta-feira (23), mas não puderam ser cumpridos na ocasião porque ele não estava em Boa Vista.
A nova fase da operação foi iniciada após a análise de materiais apreendidos na primeira etapa da investigação. Além disso, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 45,3 milhões em bens dos investigados, reforçando a gravidade das acusações.
Histórico político e alegações de irregularidades
Masamy Eda foi eleito deputado estadual em 2014, mas teve seu mandato cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral de Roraima em novembro de 2016, devido a abuso de poder econômico e compra de votos. A investigação atual aponta indícios de que empresas sem histórico no ramo teriam sido beneficiadas em licitações para a merenda escolar, recebendo pagamentos mesmo sem a certeza da entrega dos produtos contratados.
A Polícia Federal continua a apurar os detalhes do caso, que envolve suspeitas de desvios em contratos públicos essenciais para a educação no estado. A defesa de Masamy Eda mantém a posição de que os fatos serão esclarecidos pela Justiça e que não há elementos suficientes para incriminá-lo.