Aliados sugerem dois nomes para vice-presidente de Flávio Bolsonaro
O cenário eleitoral brasileiro ganha novos contornos com a movimentação de partidos de oposição em torno da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Uma pesquisa recente do instituto Meio/ideia, divulgada nesta semana, mostra o senador pelo PL do Rio de Janeiro tecnicamente empatado com o ex-presidente Lula em um eventual segundo turno. Lula registra 45,8% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 41,1%, dentro da margem de erro de 2,5 pontos percentuais.
Animados com esses resultados, que indicam uma disputa acirrada, aliados do candidato já começam a discutir estratégias para fortalecer a chapa. Um dos pontos centrais é a definição do candidato a vice-presidente, considerada uma peça-chave para ampliar a base eleitoral e sinalizar para setores importantes da economia.
Ex-ministra da Agricultura é uma das cotadas
Entre os nomes que surgem com força nos bastidores políticos está o da ex-ministra da Agricultura, senadora Teresa Cristina, do PP de Mato Grosso do Sul. A indicação partiu da senadora Damares Alves, dos Republicanos do Distrito Federal, que destacou a relevância do perfil da colega.
"Eu sugeri o nome da senadora Teresa Cristina para o Flávio Bolsonaro porque, primeiro, é mulher, e, segundo, foi uma ótima ministra. Também é uma excelente parlamentar", afirmou Damares, em declaração à imprensa. A sugestão é vista com grande atenção entre os aliados, pois a senadora tem capacidade de atrair votos do eleitorado evangélico e fortalece a presença da chapa no Centro-Oeste.
Damares ainda revelou que, ao apresentar a ideia, Flávio Bolsonaro não deu uma resposta concreta. "O Flávio não me deu nenhuma resposta, ele apenas ficou me olhando", contou. A escolha de um vice passa por critérios como a redução da resistência de eleitores não bolsonaristas e a facilitação do diálogo com empresários e investidores.
Governador de Minas Gerais também entra na disputa
Outro nome que ganha destaque nas conversas é o do governador de Minas Gerais, Romeu Zema, do partido Novo. A indicação parte da necessidade de conquistar o segundo maior colégio eleitoral do país, um estado tradicionalmente decisivo nas eleições presidenciais.
Um parlamentar do Novo, próximo a Flávio Bolsonaro, afirmou, sob condição de anonimato, que essa composição seria imbatível. "Minas é o segundo colégio eleitoral do país e o governador Zema é um dos poucos candidatos que ganha de Lula no Estado. Seria também uma sinalização importante para o agro e o mercado financeiro", ressaltou.
No entanto, há resistências dentro do próprio partido. O deputado Marcel Van Hattem, do Novo do Rio Grande do Sul, comentou que a discussão sobre Zema como vice reflete mais seu potencial como candidato à Presidência. "Aqui no Congresso realmente tem muita gente falando do nome do Zema como vice do Flávio, mas isso só mostra que o Zema é um ótimo candidato à Presidência", disse.
Coordenação da campanha pede cautela
Questionado sobre se Flávio Bolsonaro já está analisando os nomes de Teresa Cristina e Romeu Zema para a vice-presidência, o coordenador da campanha, senador Rogério Marinho, do PL do Rio Grande do Norte, adotou um tom de cautela. Ele afirmou que a discussão sobre a escolha do vice ainda está em pauta, mas é prematura para definições.
"É cedo para isso", declarou Marinho, indicando que o processo de seleção deve seguir um ritmo mais lento, à medida que a campanha se desenvolve. A estratégia parece ser a de avaliar cuidadosamente as opções, considerando o impacto eleitoral e a capacidade de unir diferentes segmentos da oposição.
O debate em torno do vice-presidente ganha relevância extra diante de análises que apontam a escolha como decisiva em eleições recentes. Com a pesquisa mostrando uma disputa apertada, cada movimento dos candidatos e aliados será crucial para definir os rumos da corrida presidencial.