A Polícia Civil de Pernambuco deflagrou a Operação Cortina de Fumaça na quarta-feira (6) para desarticular um esquema de sonegação e fraudes fiscais que causou prejuízo superior a R$ 132 milhões aos cofres públicos. Segundo as investigações, o grupo criminoso utilizava beneficiários do programa Bolsa Família para lavar dinheiro por meio de empresas de fachada. Ao menos 14 pessoas e 36 companhias são alvo de investigação.
Detalhes da operação
Foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão, além de bloqueios financeiros e autuação dos suspeitos, que estão sendo monitorados por tornozeleira eletrônica. Até o momento, não houve prisões. Os nomes dos envolvidos não foram divulgados.
Em entrevista coletiva nesta quinta-feira (7), o delegado Breno Varejão, titular da Delegacia de Crimes Contra a Ordem Tributária, explicou que o esquema contava com a participação de contadores para camuflar as sonegações e fraudes fiscais, driblando a fiscalização. As empresas envolvidas atuavam no ramo de distribuição de alimentos, com sede no Centro de Abastecimento e Logística de Pernambuco (Ceasa), no bairro do Curado, Zona Oeste do Recife. O grupo também operava em Camaragibe, na Região Metropolitana, e em Caruaru e Bezerros, no Agreste.
Uso de beneficiários do Bolsa Família
De acordo com o delegado, os contadores representavam as empresas perante órgãos administrativos, como Receita, Cefaz e Jucepe, para destravar questões burocráticas e criar empresas laranja. Foram identificadas pessoas que recebiam programas assistenciais do governo federal, como o Bolsa Família, enquanto figuravam como titulares de empresas de grande porte. Os criminosos usavam os dados desses beneficiários para abrir empresas de fachada, e eles recebiam uma contraprestação financeira pela participação.
Investigação e irregularidades
O caso começou a ser investigado em 2023, mas o esquema já operava há pelo menos dez anos, conforme apuração conjunta da Polícia Civil e do Ministério Público de Pernambuco. Entre as irregularidades encontradas, está a venda de mercadorias sem nota fiscal. O delegado alertou que esse tipo de crime pode causar desequilíbrio comercial, prejudicar concorrentes honestos e incentivar práticas ilegais, impactando a arrecadação e, consequentemente, as políticas públicas em saúde, educação e segurança.



