A proximidade das eleições de 2026 está provocando uma significativa movimentação no terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A recente saída do ministro Ricardo Lewandowski da Justiça e Segurança Pública, anunciada na quinta-feira, 8 de janeiro de 2026, é apenas a primeira de uma série de mudanças previstas para a Esplanada dos Ministérios.
Segundo a legislação eleitoral, ministros de Estado que desejam se candidatar nas eleições de outubro de 2026 precisam se desincompatibilizar de seus cargos até o dia 3 de abril deste mesmo ano. Esse prazo de seis meses antes da votação está acelerando a chamada "dança das cadeiras" no governo federal.
Saídas de peso abalam o primeiro escalão
Uma das baixas mais impactantes para a equipe econômica será a do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Dentro do PT e de alas do governo, há expectativa de que ele dispute o governo do estado de São Paulo, possivelmente reeditando o duelo com o atual governador Tarcísio de Freitas, do Republicanos. No entanto, a candidatura enfrenta obstáculos, como a boa avaliação do adversário e a derrota anterior de Haddad em 2022.
Outra opção em estudo para Haddad, e que seria sua preferência pessoal, é assumir a coordenação da campanha à reeleição do presidente Lula. A decisão final ainda está em aberto, mas sua saída do Ministério da Fazenda antes de abril é considerada certa.
Também deve deixar o cargo a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann. A petista planeja concorrer à reeleição para a Câmara dos Deputados pelo Paraná, estado onde o PT enfrentou uma divisão interna significativa no ano passado.
Outros nomes de destaque na lista de saídas
O "gerente" do Palácio do Planalto, o ministro da Casa Civil Rui Costa, também se prepara para deixar o governo. Filiado ao PT, ele será candidato ao Senado Federal pela Bahia. Sua saída representa uma perda importante na articulação política diária do governo.
A lista de ministros que já preparam sua despedida é extensa e inclui figuras centrais de diversas pastas. Entre eles estão:
- Marina Silva (Rede), ministra do Meio Ambiente: candidata a deputada ou senadora por São Paulo.
- Simone Tebet (MDB), ministra do Planejamento: candidata ao Senado por Mato Grosso do Sul ou São Paulo.
- Renan Filho (MDB), ministro dos Transportes: candidato ao governo de Alagoas.
- Carlos Fávaro (PSD), ministro da Agricultura: candidato ao Senado por Mato Grosso.
Outros nomes que constam na relação de prováveis saídas são Alexandre Silveira (Minas e Energia), André Fufuca (Esporte), Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos) e Sônia Guajajara (Povos Indígenas).
Quem deve ficar e os impactos para o governo
Enquanto a debandada se forma, alguns ministros devem permanecer em seus postos. É o caso de Guilherme Boulos, ministro das Cidades. De acordo com informações dos bastidores, houve um acordo para que ele ficasse na pasta até o final do mandato presidencial, apesar da expectativa de parte da militância do PSOL por sua candidatura.
A troca em massa de ministros no último ano do mandato representa um desafio para a continuidade das políticas públicas e a estabilidade política do governo Lula. A necessidade de recompor o primeiro escalão com nomes que não tenpretensões eleitorais imediatas, mas que mantenham a capacidade de gestão e articulação, será um teste para a liderança do Planalto.
As movimentações confirmam que o ciclo eleitoral de 2026 já começou dentro do próprio governo, redefinindo prioridades e alianças enquanto o presidente busca conduzir seus últimos anos de mandato com uma equipe renovada.