O escolhido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), Jorge Messias, foi rejeitado pelo plenário do Senado Federal nesta quarta-feira, 29 de abril de 2026. Após a votação, que resultou em 42 votos contrários e 34 favoráveis, o ministro da Advocacia-Geral da União (AGU) afirmou que aceita o resultado e que o plenário é soberano.
Declarações de Messias
Em pronunciamento após a derrota, Messias declarou: “Cumpri meu propósito. O plenário do Senado é soberano”. Visivelmente emocionado, ele relembrou os cinco meses de campanha para angariar os votos necessários à aprovação. “Sou grato a Deus por ter chegado aqui. Cumpri o meu desígnio. Participei de forma íntegra e franca de todo este processo. Me submeti durante cinco meses ao escrutínio que é decorrente do próprio processo constitucional”, disse.
O ministro destacou a generosidade com que foi recebido pelos senadores e afirmou não ter nada a reparar quanto à conduta de ninguém. “Só sou grato aos votos que recebi. Acho que cada um de nós cumpre um propósito. Eu cumpri o meu. Vim hoje, participei, me submeti a uma sabatina de coração aberto, de alma leve, com espírito franco, falei a verdade, demonstrei o que sinto. Agora, a vida é assim. Tem dia de vitória e dia de derrota. Nós temos que aceitar, o Senado é soberano, o plenário do Senado é soberano”, completou.
Processo de aprovação
Messias havia sido aprovado anteriormente na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado, mas foi barrado na votação em plenário. A rejeição ocorreu apesar do apoio declarado do presidente Lula e de parte da base governista.
“Faz parte do processo democrático saber ganhar e saber perder. Não é simples, para alguém com a minha trajetória, passar por uma reprovação. Mas eu quero dizer para vocês algo muito importante: aprendi, na minha vida, que a minha vida está nas mãos de Deus e Deus sabe todas as coisas. Ele tem um plano para cada um de nós. Cumpri o meu propósito”, afirmou Messias.
Luta e gratidão
O ministro da AGU disse ter lutado o bom combate ao buscar o apoio do Senado para se tornar ministro do STF, e ressaltou que sua história não termina com essa reprovação. “Nós sabemos quem promoveu tudo isso. Quero dizer com o coração leve, com a franqueza da minha alma. Tenho certeza que lutei um bom combate. Passei por cinco meses por um processo de desconstrução. Sou grato a Deus por ter passado por este processo e sou grato pela confiança que o presidente Lula depositou em mim. Não encaro como o fim, é um processo da minha vida. Estou tranquilo, estou em paz, estou leve”, concluiu.



