Uma nova pesquisa eleitoral revela um cenário paradoxal na disputa pela Presidência da República. Apesar de comandar um governo reprovado por quase metade do eleitorado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera as intenções de voto contra Flávio Bolsonaro (PL). O fator decisivo, segundo os dados, é o medo da volta do bolsonarismo ao poder.
O paradoxo da reprovação e da liderança
A primeira rodada do ano da pesquisa Genial/Quaest, divulgada em janeiro de 2026, traz números que ilustram a intensa polarização no país. O governo Lula é reprovado por 49% dos entrevistados. Além disso, 56% dos eleitores acreditam que o petista não merece um novo mandato e a mesma porcentagem avalia que o Brasil está na direção errada sob seu comando.
A insatisfação tem endereço claro: a economia e a segurança. Para 43% dos brasileiros, a situação econômica piorou nos últimos doze meses. A percepção do dia a dia é ainda mais contundente: 58% afirmam que os preços nos supermercados subiram no último mês, e 61% sentem que seu poder de compra é menor hoje do que há um ano.
A população também demonstra preocupação com o avanço da violência nas cidades, com problemas sociais que persistem e com os escândalos de corrupção que voltaram a ocupar as prateleiras da Polícia Federal e dos tribunais.
O medo como estratégia eleitoral
Em um cenário tradicional, esses índices seriam considerados fatais para as ambições de reeleição de qualquer candidato. No entanto, Lula não apenas sobrevive politicamente, como lidera a corrida. A explicação está em um sentimento que supera a insatisfação com o atual governo: o temor da alternativa.
Os dados são elucidativos. Quando questionados sobre o que mais receiam, 46% dos eleitores afirmam ter mais medo da volta do bolsonarismo ao poder. O temor da continuidade do governo Lula é citado por 40%. Essa diferença de seis pontos percentuais posiciona o presidente petista como a opção "menos pior" para uma parcela significativa do eleitorado.
É esse eleitor, infeliz com a economia, inseguro nas ruas e com menos dinheiro no bolso, mas simultaneamente apavorado com a ideia de um Bolsonaro voltar ao Planalto, que sustenta as chances de vitória de Lula.
A energia vital do petismo
Esse contexto explica por que Lula e sua base torcem, mais do que nunca, pela candidatura de Flávio Bolsonaro. O caminho para a reeleição, diante de um desempenho governamental criticado, passa necessariamente por convencer o país de que o risco representado pelo adversário é maior do que a manutenção do status quo.
Com um membro da família Bolsonaro como rival principal, essa mensagem se torna mais fácil de ser transmitida e assimilada por parte do eleitorado. A polarização, portanto, deixa de ser apenas um fenômeno político e social para se tornar a estratégia central e a força vital da campanha petista.
A pesquisa Quaest, realizada entre eleitores de todo o Brasil, mostra que a disputa de outubro de 2026 deve ser definida menos por aprovação e mais por rejeição. O voto útil, motivado pelo medo do retorno do projeto político adversário, emerge como a variável capaz de decidir o próximo ocupante do Palácio do Planalto.