Lula 2026: Vitrines populares e fragilidades históricas definem pré-campanha
Lula inicia 2026 com vitrines populares e desafios crônicos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva inicia o ano eleitoral de 2026 em posição de liderança nas pesquisas de intenção de voto, preparando-se para sua sétima disputa pela Presidência da República. O cenário, no entanto, é marcado por uma combinação de fortes trunfos populares e antigas fragilidades que prometem tornar a corrida tão acirrada quanto a de 2022, quando Lula venceu Jair Bolsonaro por uma margem inferior a dois pontos percentuais.

O poder da máquina e a divisão da oposição

Alguns fatores estruturais jogam a favor do atual mandatário. Um deles é o poder da máquina pública e a força do cargo. Desde a redemocratização, o único presidente que tentou e não conseguiu a reeleição foi Jair Bolsonaro, atualmente inelegível e preso. Até Dilma Rousseff, que enfrentou grandes protestos de rua e a Operação Lava-Jato, conquistou um segundo mandato, posteriormente interrompido por impeachment.

Com a eleição marcada para daqui a dez meses, Lula também se beneficia de uma direita rachada. Enquanto setores do Centrão e elites financeiras defendem a candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio Gomes de Freitas, a entrada do senador Flávio Bolsonaro na disputa, como representante do pai, complica a unificação de um projeto oposicionista.

Portfólio de programas: as vitrines da campanha

Após ver sua popularidade cair no primeiro semestre de 2025, quando a desaprovação superou a aprovação em 17 pontos, Lula se recuperou e encerrou o ano em um empate técnico. Segundo pesquisa Genial/Quaest, os índices ficaram em 49% de desaprovação e 48% de aprovação.

Essa recuperação está atrelada à concretização de projetos de amplo apelo popular, que serão usados como principais argumentos de campanha. Na virada do ano, o presidente celebrou nas redes sociais a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, medida aprovada por 69% da população.

Outros cinco programas apresentam índices de aprovação ainda mais robustos, conforme os dados da Genial/Quaest:

  • Ampliação da distribuição de gás de cozinha (70%)
  • Bolsa Família (73%)
  • Ampliação da isenção da conta de luz (75%)
  • Distribuição gratuita de remédios (88%)
  • Minha Casa, Minha Vida (89%)

De olho no eleitorado de classe média, o governo também expandiu as linhas de crédito para a compra da casa própria. Otimista, Lula acredita que colherá nas urnas a retribuição pelos benefícios entregues.

Os velhos desafios: a sombra do desgaste

A grande interrogação do pleito de 2026 é se esse portfólio positivo será suficiente para neutralizar o desgaste gerado por problemas crônicos associados aos governos do PT. A gestão das contas públicas, que gera desconfiança nos mercados, segue como um ponto de atrito.

No entanto, os calcanhares de Aquiles mais evidentes são a segurança pública e a corrupção. Nessas duas áreas, a gestão Lula ostenta as piores avaliações negativas: 55% e 47%, respectivamente, de acordo com a mesma pesquisa. O eleitorado demonstra cansaço em relação à inépcia no combate à criminalidade e ao estigma do desvio de recursos públicos.

O presidente, portanto, inicia a reta final para a eleição com um cenário dual: de um lado, um conjunto de políticas sociais extremamente populares; do outro, a persistência de fragilidades históricas que podem definir o resultado em um pleito que promete ser decidido por detalhes. A capacidade de sua campanha em minimizar os pontos fracos e maximizar as vitrines determinará se Lula conseguirá, mais uma vez, vencer uma eleição presidencial.