Primeiras percepções do governo Lula após derrota de Messias no Senado
A derrota acachapante de Jorge Messias, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Supremo Tribunal Federal (STF), no Senado foi recebida com surpresa no Palácio do Planalto, não pelo revés em si, mas pelo placar elástico imposto pela oposição e pelo Centrão. Para ter sua indicação aprovada, o titular da Advocacia-Geral da União (AGU) precisava de 41 votos favoráveis. Quando o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, proclamou o resultado, o placar apontava 34 votos a favor e 42 contrários.
Articulação de Alcolumbre
Auxiliares do petista avaliam que os números sugerem que o amapaense participou da articulação para derrotar o nome escolhido por Lula para a Corte. O entendimento é que é o momento de se resguardar, esperar a poeira baixar para voltar a tratar do assunto. Por isso, está concretizado o cenário de o petista não tentar construir nada relacionado a esse tema antes da eleição de outubro. Ele retomará o tema caso seja consagrado nas urnas mais uma vez em outubro.
Plano B descartado
Fontes próximas do presidente veem poucas chances de ele adotar Rodrigo Pacheco como plano B para essa missão, porque isso seria dar exatamente o que Alcolumbre sempre quis. No ano passado, o chefe do Congresso ficou contrariado com a decisão de Lula de indicar Messias. Ele queria que o petista tivesse escolhido o senador mineiro para o posto.
Reação de Lula
Interlocutores de Lula afirmam que o presidente procurou normalizar o resultado, afirmando que, assim como ele tem a prerrogativa de indicar, os senadores é quem têm o direito de aprovar ou rejeitar o escolhido. O objetivo é evitar que o desfecho seja encarado como o fim do governo e não flertar com um eventual enfrentamento do Executivo com o Legislativo.



