A vitória do ator brasileiro Wagner Moura no prestigiado Globo de Ouro, no último domingo, 11 de janeiro de 2026, gerou celebrações oficiais, mas também uma reação crítica inesperada. A vereadora de São Paulo Janaina Paschoal (PP), conhecida por ser coautora do pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, disparou contra a postura do governo federal.
O cerne da reclamação
Em suas redes sociais, Janaina Paschoal começou parabenizando o ator pela conquista no 83º Globo de Ouro, pelo filme O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho. No entanto, seu foco rapidamente mudou para a atuação do governo. A parlamentar acusou o Executivo de agir de maneira "típica de ditaduras" por promover uma ampla celebração, com sucessivas postagens de diversos órgãos públicos, em torno do prêmio internacional.
O ponto central de sua crítica foi a comparação com o silêncio que, segundo ela, o governo mantém sobre a situação no Irã. Janaina mencionou a Revolução Iraniana, afirmando que o movimento "já levou à morte 500 pessoas, que só pediam liberdade". Para a vereadora, a discrepância entre a euforia com o Globo de Ouro e a falta de posicionamento sobre o que classifica como um genocídio no Irã é um sinal de hipocrisia.
Comparações e acusações de hipocrisia
Em seu desabafo, Janaina Paschoal também fez um paralelo com o tratamento dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Ela lembrou que, por frases consideradas inadequadas, Bolsonaro é frequentemente chamado de genocida pela esquerda. "Já, diante do genocídio no Irã, nada! Nenhuma palavra!", protestou.
A crítica foi direcionada especialmente aos que se dizem defensores dos direitos das mulheres, numa referência ao caráter do protesto popular iraniano. A fala da vereadora misturou a celebração cultural, a política externa e a política doméstica, criando um debate que rapidamente ultrapassou o simples fato do prêmio cinematográfico.
Repercussão e contexto político
A declaração de Janaina Paschoal reacende discussões sobre o papel do Estado na promoção de conquistas culturais e seu posicionamento em conflitos internacionais sensíveis. A reação ocorre em um momento de alta polarização política no Brasil, onde qualquer ação governamental é minuciosamente analisada e criticada pelos lados opostos do espectro ideológico.
Enquanto muitos cidadãos e setores da cultura comemoravam a visibilidade internacional proporcionada por Wagner Moura, a intervenção da vereadora paulista jogou luz sobre uma expectativa de parte da oposição por um alinhamento mais vocal do Brasil em questões de direitos humanos no cenário global. O episódio ilustra como eventos do entretenimento podem se tornar rapidamente arena para embates políticos acirrados.