Coordenador da campanha explica crescimento de Flávio Bolsonaro nas pesquisas recentes
O avanço consistente de Flávio Bolsonaro nas pesquisas de intenção de voto, com aproximação cada vez maior de Luiz Inácio Lula da Silva, reflete uma mudança significativa na percepção do eleitorado sobre o senador. Essa é a avaliação detalhada de Rogério Marinho, coordenador da pré-campanha presidencial, em entrevista exclusiva ao programa Ponto de Vista, da VEJA.
Mudança na percepção pública
Segundo Marinho, o crescimento surpreendente nas sondagens se deve, principalmente, ao aumento substancial do conhecimento público sobre o perfil político do candidato. "As pessoas começaram a perceber quem de fato é Flávio Bolsonaro", afirmou o coordenador, destacando que no lançamento da pré-candidatura, o senador era visto apenas como uma figura com atuação regional limitada.
Com o tempo, a exposição nacional teria ampliado consideravelmente sua base de apoio. "No primeiro momento, ele herdou uma rejeição que se dava pelo desconhecimento", explicou Marinho. Atualmente, segundo sua análise, o senador passou a ser identificado como um nome que combina valores conservadores tradicionais com uma postura mais flexível e dialogadora.
Críticas ao governo Lula
Ao ser questionado sobre propostas econômicas, Marinho fez críticas diretas e contundentes ao governo Lula, afirmando que a direita pretende retomar uma agenda clara de responsabilidade fiscal. "Este governo é irresponsável do ponto de vista fiscal. Aumenta tributos e cria um clima de insegurança jurídica", declarou o coordenador da campanha.
Ele contrapôs esse cenário ao que classificou como legado positivo da gestão anterior, defendendo três pilares fundamentais para um eventual governo:
- Previsibilidade econômica
- Redução progressiva de impostos
- Controle rigoroso de gastos públicos
Posicionamento sobre o STF
A entrevista também abordou declarações recentes de Flávio Bolsonaro sobre indulto a condenados por tentativa de golpe. Marinho rejeitou todas as críticas recebidas e afirmou categoricamente que a medida estaria dentro das prerrogativas constitucionais do presidente da República.
"Qualquer presidente precisa restabelecer a normalidade democrática", disse o coordenador, ao criticar simultaneamente decisões específicas do Supremo Tribunal Federal e a condução de determinados inquéritos. Ele negou veementemente que a posição configure qualquer tipo de ameaça institucional, afirmando que se trata do exercício legítimo de atribuições presidenciais previstas na Constituição.
Plano para segurança pública
Na área de segurança, Marinho destacou o endurecimento das leis como eixo central da proposta. Ele citou especificamente a legislação contra facções criminosas como exemplo de política pública que deve ser aprofundada e ampliada.
"A população brasileira é refém da violência", afirmou o coordenador, ao defender penas mais duras para crimes graves e criticar medidas como as audiências de custódia. O senador Flávio Bolsonaro também criticou declarações recentes atribuídas ao presidente Lula sobre criminalidade, apontando uma diferença fundamental de visão entre governo e oposição.
Cenário eleitoral atual
Questionado sobre a entrada de Ronaldo Caiado na disputa presidencial, Marinho minimizou os riscos de fragmentação da direita e indicou convergência natural no segundo turno. A avaliação da campanha é que candidaturas paralelas fazem parte do processo democrático normal, mas devem convergir contra o governo atual na fase decisiva da eleição.
Para o coordenador da campanha, o cenário político atual indica uma disputa cada vez mais concentrada entre dois polos claramente definidos. O crescimento consistente de Flávio Bolsonaro nas pesquisas de intenção de voto reforçaria essa tendência de polarização, segundo sua análise estratégica.
Marinho finalizou destacando que o eleitorado passou a enxergar em Flávio um perfil mais jovem, dialogador e negociador, características que combinam com valores conservadores mas com abordagem flexível para governar.



