Oposição planeja artilharia contra possível candidatura de Lula em 2026
Estratégia da direita para as eleições de 2026

No cenário político que antecede as eleições de 2026, partidos de direita e centro-direita ainda não estão convencidos sobre a real intenção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de buscar um quarto mandato. A dúvida persiste, alimentada pela atenção que o chefe do Executivo dedica à sua saúde, já na casa dos oitenta anos. No entanto, a tendência entre as lideranças oposicionistas é considerar a candidatura de Lula como uma possibilidade concreta, especialmente diante da aparente falta de um nome alternativo com o mesmo peso dentro do PT e de suas alianças.

Os temas que dominam os bastidores

O assunto tem sido pauta frequente em jantares e encontros informais de políticos de direita. Nessas ocasiões, além de especular sobre a decisão de Lula, os grupos trocam ideias e sugestões sobre a artilharia política a ser usada contra o possível adversário. Os alvos já estão definidos e incluem uma série de questões consideradas vulneráveis para o governo.

Entre os principais pontos de crítica que seriam explorados estão: o declínio percebido nas empresas estatais, indo além dos problemas dos Correios; o que a oposição classifica como um "monumental assalto" contra os aposentados do INSS; a sensação de insegurança pública e a aparente impotência do Estado diante do crime organizado; uma política externa considerada dúbia; e, sobretudo, a relação próxima entre o governo petista e o Supremo Tribunal Federal.

Este último ponto é visto como especialmente sensível. Críticos argumentam que essa proximidade poupou Lula, como líder político, de se levantar contra o que chamam de "ditadura togada", ao mesmo tempo em que o governo se beneficia dessa relação em desafios pontuais.

Lições do passado e o fator surpresa

O artigo original traz uma reflexão histórica interessante, alertando para a possibilidade de um lance espetacular e imprevisto que poderia consolidar o presidente para um novo mandato e para a história. O exemplo citado é o do presidente Juscelino Kubitschek.

Diante da radicalização e das rebeliões de Aragarças e Jacareacanga a partir de 1956, JK fez uma avaliação cuidadosa do momento. Ele optou por superar as dificuldades e as tentativas de derrubá-lo, estendendo a mão e acolhendo uma anistia política. O texto sugere que um gesto semelhante de grandeza estadista, embora difícil, não pode ser descartado no cenário atual.

A eficácia da estratégia e o perfil do eleitor

A grande questão estratégica, agora que a disputa pelo poder entra em seu ano decisivo, é saber se essas armas da oposição terão a eficácia desejada. Um fator crucial a ser considerado é o perfil do eleitor brasileiro médio.

Analises indicam que o eleitorado no Brasil tende a relegar a um plano secundário os defeitos e as promessas não cumpridas dos governantes. O perfil nacional parece preferir apostar na esperança e em um futuro desejável, em vez de se focar em cobranças do passado. Idealmente, uma campanha preferiria evitar a discussão incômoda das dificuldades, como o combate à corrupção, e mergulhar nos sonhos e anseios da população – uma nova versão da famosa "picanha esfregada na farinha".

Essa abordagem, baseada em expectativas positivas, pode valer mais do que cobrar do governo Lula o que não foi realizado ou o que já não é mais realizável.

A aposta na radicalização e o risco para o debate

Atualmente estruturada em uma maioria parlamentar, mesmo que por vezes titubeante, a direita não esconde que, no cerne de seu projeto eleitoral, pretende tirar proveito da radicalização do cenário político. A expectativa é que esse clima contribua para que as urnas continuem reféns da polarização entre lulistas e bolsonaristas.

No entanto, a esquerda também joga com a mesma expectativa. A nação radicalizada tem se mostrado uma mãe generosa para ambas as correntes, como ficou evidente nas eleições de 2024. Longe de ser uma boa perspectiva para o debate democrático, o risco que se corre é ver todo o processo eleitoral de 2026 confinado ao calor das paixões.

O perigo real é a falta de uma discussão séria e qualificada sobre os problemas complexos que cercam o país, todos exigindo soluções desafiadoras. O debate pode ficar reduzido a ataques e defesas passionais, em detrimento de propostas concretas para os desafios nacionais.