Preso nesta terça-feira, 5, em uma nova fase da Operação Unha e Carne, o deputado estadual Thiago Rangel (Avante) é suspeito de se beneficiar de um esquema de corrupção que teria desviado grandes quantias da Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro. De acordo com a Polícia Federal, o volume de dinheiro em espécie movimentado pelo parlamentar era tão expressivo que exigiu a contratação de um cofre inteligente e de uma transportadora de valores. Até o momento, o deputado não se manifestou sobre as acusações.
Investigação da Polícia Federal
A prisão de Thiago Rangel foi decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O parlamentar, em seu primeiro mandato como deputado estadual, iniciou a carreira política como vereador em Campos dos Goytacazes, no norte fluminense. Segundo denúncia decorrente da Operação Postos de Midas, deflagrada em 2024, ele já teria desviado recursos públicos naquela cidade. A Polícia Federal afirma que, ao assumir a vaga na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rangel manteve o mesmo modus operandi utilizado quando era vereador.
Esquema de corrupção
A sistemática envolve práticas clássicas de corrupção, como direcionamento de licitações, transferências entre uma rede de empresas abertas em nome de terceiros e movimentação de grandes volumes de dinheiro em espécie. Os investigadores apontam que o esquema ganhou maior dimensão ao envolver a máquina pública estadual. Thiago Rangel teria ingerência sobre a cota de desvios do norte fluminense, sua base política, mas a PF suspeita que outros parlamentares também tenham sido beneficiados. O esquema seria liderado pelo ex-deputado Rodrigo Bacellar (União), cassado pela Justiça Eleitoral, como forma de comprar apoio político na Alerj.
Empresa usada para receber propina
Para recolher sua parte nos desvios, Thiago Rangel teria utilizado a empresa T. H. Rio Administração e Participações LTDA, que, segundo a Polícia Federal, era um “importante polo de recebimento de numerário”. Formalmente, o CNPJ está registrado em nome de Elexandre Rodrigues dos Santos Silva Filho, ex-assessor parlamentar, mas o deputado seria o procurador da empresa. Elexandre é descrito na investigação como o principal “laranja” do político e também foi preso. Outro personagem-chave nos desvios é Luiz Fernando Passos de Souza, apontado como operador financeiro do deputado. Ele tem conexões, inclusive por meio de familiares, com pelo menos três empresas implicadas na investigação e foi preso nesta terça-feira.
Conversas e provas
Em uma conversa recuperada pelos investigadores, datada de 17 de setembro de 2024, Luiz Fernando escreve a Rangel: “Contrato assinado… Saque de 550 para sexta…” e “Depois 700 + 750”. Os policiais federais acreditam que a mensagem se refere a propinas. Em resposta, o deputado envia um áudio: “Bota isso com você guardado, entendeu? Se precisar, beleza, se não precisar, deixa rodar”.
Segundo a PF, a mensagem “reforça a suspeita de ocultação de recursos ou de possível gestão paralela de valores em espécie, prática comum em esquemas de desvio de verbas públicas, especialmente para fins de caixa paralelo em época de campanha eleitoral”. Três dias depois, em 20 de setembro de 2024, uma sexta-feira, Luiz Fernando envia ao deputado uma imagem com maços de dinheiro vivo e escreve: “Guardado”. O deputado responde com uma figurinha com sua própria caricatura. Os investigadores afirmam que a “correlação temporal reforça a suspeita de que os valores tratados nas conversas estariam sendo movimentados de forma clandestina”.
Posicionamento da Alerj
Em nota, a Alerj informou que está à disposição para colaborar no esclarecimento dos fatos. “A Assembleia Legislativa reforça seu compromisso com a transparência e confiança no trabalho dos órgãos competentes”, diz a manifestação. O deputado não se pronunciou.



