Justiça impõe medidas urgentes para crise ambiental em lixão de Acará, no Pará
Justiça determina ações contra lixão irregular em Acará, PA

Justiça determina medidas urgentes para crise ambiental em lixão de Acará, no Pará

A Justiça do Pará emitiu uma decisão que impõe medidas urgentes para enfrentar a grave crise ambiental e sanitária causada por um lixão irregular a céu aberto no município de Acará, localizado na região nordeste do estado. A determinação judicial, proferida pela juíza Emília Medeiros em 29 de janeiro, atende a uma ação civil pública movida pelo Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), através da Promotoria de Justiça de Acará.

O g1 solicitou um posicionamento à Prefeitura de Acará sobre o caso, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. A situação revela falhas críticas na gestão de resíduos sólidos no município, com impactos diretos na saúde pública e no meio ambiente.

Condições alarmantes no lixão irregular

De acordo com o MPPA, a decisão judicial foi baseada em uma vistoria técnica que constatou um cenário de extrema gravidade. O lixão opera sem qualquer controle ambiental, incluindo a queima de resíduos a céu aberto e o descarte irregular de materiais perigosos, como lixo hospitalar, eletrônico e pneus.

Além disso, a exposição de catadores a condições degradantes de trabalho foi destacada como um problema urgente. A juíza Emília Medeiros ressaltou os riscos de transmissão de doenças, incluindo HIV e hepatites, devido ao descarte inadequado de seringas e agulhas, bem como a contaminação de mananciais e do lençol freático pelo chorume produzido no local.

Medidas determinadas pela Justiça

A decisão acolheu integralmente os pedidos do MPPA e estabeleceu uma série de providências que o município de Acará deve adotar imediatamente, sob pena de multa diária em caso de descumprimento. As medidas incluem:

  • Encerramento imediato de toda queima de resíduos a céu aberto, com a apresentação de um plano de ação em até 10 dias.
  • Cercamento da área do lixão para impedir a entrada de pessoas não autorizadas, com proibição especial para crianças e adolescentes.
  • Cadastro, em 15 dias, de todas as famílias de catadores para inclusão em programas sociais.
  • Fornecimento de equipamentos de proteção individual (EPIs) a todos os catadores cadastrados, como botas impermeáveis, luvas resistentes, máscaras e uniformes.
  • Cobertura diária dos resíduos com terra ou argila para controle de odores.
  • Proibição total de descarte de lixo hospitalar, eletrônico e pneus no local.

Essas ações visam mitigar os impactos ambientais e proteger a saúde dos trabalhadores e da comunidade local.

Proposta de Central de Tratamento de Resíduos

Paralelamente à crise no lixão irregular, há uma proposta de licenciamento ambiental para uma Central de Tratamento de Resíduos Sólidos (CTR) em Acará, promovida pela empresa Ciclus Amazônia S/A. O empreendimento, que ocupará um imóvel rural de 374 hectares no km 32 da PA-483, entre Acará e Bujaru, tem como objetivo receber resíduos da região metropolitana de Belém.

De acordo com o Estudo de Impacto Ambiental (EIA), a CTR tratará resíduos sólidos urbanos, industriais, de serviços de saúde e entulhos de construção civil, provenientes de municípios como Belém, Acará, Ananindeua, Barcarena, Benevides e Marituba. A operação será contínua, 24 horas por dia, com picos de circulação de caminhões em horários específicos.

No entanto, o projeto tem enfrentado resistência de comunidades rurais tradicionais na região. Moradores de Bujaru e Acará protestam desde 2022 contra a instalação da CTR, realizando manifestações na Alça Viária e em vias de Belém. A Defensoria Pública alerta para os impactos sociais e ambientais do empreendimento, destacando a necessidade de uma avaliação cuidadosa.

Esta situação complexa em Acará ilustra os desafios enfrentados por municípios brasileiros na gestão adequada de resíduos sólidos, equilibrando necessidades ambientais, sanitárias e sociais em um contexto de recursos limitados e pressões urbanas crescentes.