EUA e Irã Retomam Negociações Nucleares em Meio a Tensões e Pressão Econômica
Após uma série de ameaças feitas pelo ex-presidente americano Donald Trump, os Estados Unidos e o Irã deram início, nesta sexta-feira (6), a uma nova rodada de negociações sobre o polêmico programa nuclear iraniano. O reinício das conversas ocorre paralelamente a um aumento significativo da pressão econômica exercida pelo governo americano sobre o regime dos aiatolás, marcando um momento crucial nas relações bilaterais.
O Que Está em Jogo: Instalações Nucleares e Imagens de Satélite
Imagens de satélite recentes ajudam a ilustrar a complexidade e a urgência das discussões. Esses registros mostram uma das três instalações nucleares do Irã que foram bombardeadas pelos Estados Unidos em junho de 2025. Um outro registro, capturado há apenas cinco dias, revela o mesmo local parcialmente reconstruído, levantando questões sobre o que permanece oculto sob os escombros.
Sem um acordo formal, a Agência Internacional de Energia Atômica continua impedida de realizar inspeções no território iraniano, o que dificulta a garantia de que o país não está desenvolvendo uma arma atômica. Este impasse remonta a 2016, quando Donald Trump retirou os Estados Unidos do pacto nuclear assinado em 2013, durante o governo de Barack Obama. Aquele acordo limitava o enriquecimento de urânio no Irã em troca de alívio nas sanções econômicas.
Negociações em Omã e Objetivos em Conflito
As novas conversas tiveram início em Omã, onde ocorreram oito horas de diálogos indiretos. O ministro das Relações Exteriores de Omã reuniu-se separadamente com o enviado especial dos Estados Unidos, Steve Witkoff, e o genro de Trump, Jared Kushner, e, em outro momento, com o ministro das Relações Exteriores do Irã. O representante iraniano classificou o encontro como um bom começo, mas ressaltou que qualquer diálogo produtivo exige a ausência de ameaças.
No entanto, americanos e iranianos mantêm posições divergentes em vários aspectos fundamentais. Os Estados Unidos têm três objetivos claros para um futuro acordo:
- Acabar com o programa nuclear do Irã.
- Limitar o arsenal de mísseis balísticos iranianos.
- Encerrar o financiamento iraniano a grupos armados na região, como o Hamas em Gaza, o Hezbollah no Líbano e os Houthis no Iêmen.
Por outro lado, o Irã já sinalizou que não aceita abrir mão do direito de enriquecer urânio para fins pacíficos, como a geração de energia, nem de produzir mísseis. Este impasse persiste, complicando as perspectivas de um consenso.
Aumento da Pressão Econômica e Sanções
Enquanto as negociações avançam, o governo americano intensificou a pressão sobre o Irã. Nesta mesma sexta-feira (6), foram anunciadas novas sanções destinadas a restringir as exportações de petróleo iraniano. Além disso, os Estados Unidos afirmaram que aplicarão tarifas extras de importação contra qualquer país que mantenha negócios com o Irã, uma medida que visa isolar economicamente a nação persa.
Este cenário de tensão e diálogo reflete os desafios contínuos na busca por uma solução duradoura para a questão nuclear iraniana, com implicações significativas para a segurança regional e internacional.