TJPE homologa acordo para reduzir impactos de parques eólicos em Caetés, PE
Acordo reduz impactos de parques eólicos em Caetés, PE

Tribunal de Pernambuco homologa acordo para mitigar impactos de parques eólicos em Caetés

O Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) homologou nesta quinta-feira (16) um acordo histórico entre a empresa Ventos de São Clemente Holding S/A e a Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) para reduzir os impactos ambientais causados por parques eólicos no município de Caetés, localizado no Agreste pernambucano. A decisão judicial, assinada na quarta-feira (8) pelo desembargador Erik de Sousa Dantas Simões, estabelece medidas concretas para proteger comunidades rurais afetadas pela operação dos aerogeradores.

Medidas de compensação e prazos rigorosos

O acordo determina que moradores situados entre 280 e 1000 metros das turbinas eólicas poderão ser indenizados ou transferidos para novas áreas, desde que haja viabilidade técnica e as famílias escolham os locais. A empresa terá prazos escalonados de 10, 17 e até 32 meses para implementar todas as medidas, com multa de R$ 2,5 milhões em caso de descumprimento total das obrigações.

Monitoramento ambiental ampliado

Além das compensações às famílias, a empresa deverá apresentar até 30 de abril de 2026 um relatório técnico completo de simulação e análise de ruído ambiental, seguindo rigorosamente as normas da ABNT. O foco principal será nas residências localizadas entre 280 e 500 metros das turbinas. A partir daí, o monitoramento passará a ser semestral e incluirá dados detalhados sobre fauna, flora, qualidade do ar e saúde dos moradores.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Compromissos adicionais da empresa

O termo judicial também obriga a companhia a comprovar a destinação adequada de resíduos gerados pela atividade, como óleos lubrificantes, e a concluir até 1º de julho de 2026 um estudo para avaliar mudanças no traçado de estradas vicinais. A proposta é garantir uma distância mínima de segurança de 150 metros entre vias públicas e aerogeradores, aumentando a proteção aos moradores.

Impactos graves na saúde dos moradores

Estudos realizados por pesquisadores da Universidade de Pernambuco (UPE), com participação da Fundação Oswaldo Cruz, revelam dados alarmantes sobre a saúde das comunidades afetadas. Mais de 70% das pessoas que vivem próximas aos aerogeradores apresentam sintomas como estresse, ansiedade e depressão, enquanto cerca de 77% dos moradores têm algum grau de perda auditiva.

Medições técnicas realizadas na zona rural de Caetés indicaram que, a aproximadamente 300 metros das turbinas, o ruído pode ser até 40 vezes superior ao considerado saudável para a exposição humana. Pesquisadores também identificaram impactos significativos de infrassons, que podem afetar negativamente o sistema cardiovascular e a qualidade do sono dos residentes.

Relatos das famílias afetadas

Amanda Alves, servidora pública que mora no Sítio Toquinho em Caetés, a cerca de 800 metros de uma das turbinas, descreve situações preocupantes: "O barulho é muito incômodo, principalmente à noite. Em várias ocasiões já pegou fogo algumas fiações, que fizeram a gente acordar com o susto. Há uns meses caiu uma torre próxima aqui de casa e foi um barulho estarrecedor".

A moradora relata ainda que o irmão de sua sogra, que tem doença de Alzheimer e morava na propriedade vizinha, "sempre acordava assustado com o barulho". Amanda afirma que a comunidade não foi adequadamente informada sobre os efeitos negativos antes da instalação dos equipamentos: "Na época que foram colocadas, vieram com conversas muito bonitas, mas era algo novo que a população não imaginava como seria e que traria tantos prejuízos".

Contexto da instalação dos parques

Os parques eólicos foram instalados próximos a comunidades rurais formadas por pequenos agricultores, alguns vivendo a menos de 150 metros das torres. Desde 2014, quando teve início a implantação, aproximadamente 220 torres foram instaladas na região, transformando radicalmente o cenário antes marcado pelo silêncio característico da zona rural.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

Com a homologação do acordo pelo TJPE, o processo judicial que discutia os impactos ambientais dos parques eólicos foi encerrado sem análise do mérito, uma vez que houve consenso entre todas as partes envolvidas. A decisão representa um marco na regulação da atividade eólica no estado, equilibrando desenvolvimento energético com proteção ambiental e direitos das comunidades.