Justiça de SP nega indenização a Fernando Holiday por declarações de Arthur do Val
Justiça nega indenização a Holiday por fala de Arthur do Val

Justiça de São Paulo rejeita pedido de indenização de Fernando Holiday contra Arthur do Val

A Justiça de São Paulo negou o pedido de indenização de R$ 60 mil por danos morais feito pelo ex-vereador Fernando Holiday, do PL, contra o ex-deputado estadual Arthur do Val. A ação foi motivada por declarações feitas por Arthur do Val em uma transmissão ao vivo no YouTube, onde ele satirizou a reconciliação entre Holiday e o ex-presidente Jair Bolsonaro, também do PL.

Contexto das declarações e decisão judicial

Na ocasião, Arthur do Val ironizou o que considerou uma postura contraditória de Holiday, dizendo: "Fez a coisa mais humilhante que tem: se ajoelhou pro Bolsonaro. 'Desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, Bolsonaro, desculpa, desculpa, desculpa. Eu sou seu filho negro, viadinho, que foi embora e voltou pra casa e você me acolheu'". No entanto, o Juizado Especial Cível entendeu que as falas, embora "ríspidas e deselegantes", estão protegidas pela liberdade de expressão no contexto de debate político entre figuras públicas.

O juiz Luciano Persiano destacou que o próprio Holiday já havia utilizado expressão semelhante ao comentar sua filiação ao PL, em 2023, quando disse que Jair Bolsonaro estava filiando "um negro meio veado". Para o magistrado, Arthur do Val fez uma paráfrase satírica dessa declaração ao comentar a mudança de posicionamento político do vereador. Na avaliação do juiz, não houve intenção direta de ofensa racial ou homofóbica, mas sim um "propósito satírico de escrachar a guinada política do requerente".

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Exposição de figuras públicas e precedentes jurídicos

O juiz ressaltou que tanto Holiday quanto Arthur do Val são figuras públicas e, por isso, estão mais expostos a críticas e manifestações mais duras. Ele citou precedentes do Tribunal de Justiça de São Paulo que reconhecem que, em debates políticos, expressões "rudes e desrespeitosas" podem não configurar dano moral, desde que inseridas no contexto de disputa de ideias. A decisão enfatiza que a liberdade de expressão deve ser preservada em discussões políticas, mesmo quando envolve linguagem contundente.

Histórico de Arthur do Val e cassação do mandato

Arthur do Val, então deputado estadual pelo União Brasil, teve o mandato cassado após o vazamento de áudios em que fazia comentários machistas sobre refugiadas ucranianas. As falas foram ditas durante uma viagem ao país sob a justificativa de prestar ajuda humanitária. Nos áudios, ele disse: "São fáceis, porque elas são pobres. E aqui minha carta do Instagram, cheia de inscritos, funciona demais. Não peguei ninguém, mas eu colei em duas 'minas', em dois grupos de 'mina'. É inacreditável a facilidade. Essas 'minas' em São Paulo você dá bom dia e ela ia cuspir na sua cara e aqui são super simpáticas".

Em outro trecho, o áudio diz: "Acabei de cruzar a fronteira a pé aqui, da Ucrânia com a Eslováquia. Eu juro, nunca na minha vida vi nada parecido em termos de 'mina' bonita. A fila das refugiadas, irmão. Imagina uma fila de sei lá, de 200 metros ou mais, só deusa. Sem noção, inacreditável, é um bagulho fora de série. Se pegar a fila da melhor balada do Brasil, na melhor época do ano, não chega aos pés da fila de refugiados aqui". Essas declarações levaram à cassação de seu mandato e à perda dos direitos políticos por oito anos, reforçando as consequências de comportamentos inadequados por parte de autoridades públicas.

Este caso ilustra a complexidade da aplicação da liberdade de expressão em disputas políticas, onde a linha entre crítica legítima e ofensa pode ser tênue, especialmente quando envolvem personalidades públicas com histórico de declarações polêmicas.

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