Julgamento de desaparecimento de adolescente em Maceió é adiado novamente para maio
Julgamento de desaparecimento de adolescente em Maceió adiado

Julgamento de desaparecimento de adolescente em Maceió é adiado novamente para maio

O tão aguardado julgamento do caso do adolescente Davi da Silva, que desapareceu misteriosamente após uma abordagem policial em Maceió, foi adiado mais uma vez. A sessão, que estava inicialmente programada para o dia 13 de abril, foi oficialmente remarcada para o dia 4 de maio, com início às 7h30, no Fórum Desembargador Jairo Maia Fernandes, localizado na capital alagoana.

Um caso que completa uma década sem respostas

Davi da Silva tinha apenas 17 anos de idade quando desapareceu, no distante dia 25 de agosto de 2014. O jovem foi abordado por policiais do Batalhão de Radiopatrulha da Polícia Militar, no Conjunto Cidade Sorriso I, situado no complexo do Benedito Bentes. Desde aquele fatídico momento, o adolescente nunca mais foi visto e, apesar de todas as buscas, seu corpo jamais foi localizado, deixando uma lacuna dolorosa para sua família e a comunidade.

O processo judicial envolve quatro policiais militares, sendo três homens e uma mulher, que atualmente respondem ao processo em liberdade enquanto aguardam o desfecho do julgamento. Eles enfrentam graves acusações de homicídio duplamente qualificado e ocultação de cadáver, crimes que, se comprovados, podem resultar em severas penas de prisão.

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A dor de uma mãe que não viu a justiça

Maria José, mãe de Davi e que trabalhava como feirante, acompanhou incansavelmente o caso desde o primeiro momento, lutando por respostas e justiça para o filho. Tragicamente, ela faleceu em dezembro de 2025, sem ter a oportunidade de testemunhar o encerramento deste longo processo judicial. O julgamento havia sido anteriormente agendado para outubro de 2025, mas também sofreu um adiamento, prolongando ainda mais a angústia familiar.

O advogado da família, Arthur Lira, expressou um misto de sentimentos em relação ao novo adiamento. "De fato, é um sentimento de angústia da família que espera há tantos anos por esse desfecho, mas também existe confiança no Poder Judiciário e no corpo de jurados que, no dia 4 de maio, irão compor esse tribunal do júri e certamente responsabilizar criminalmente os autores desse crime", afirmou o profissional.

Um desaparecimento emblemático e a pergunta que ecoa

Lira destacou ainda que a família aguarda ansiosamente o julgamento, na esperança de finalmente encerrar uma longa e dolorosa espera marcada por incertezas e questionamentos. "É um desaparecimento que deixou uma pergunta que permanece até hoje: 'Cadê Davi?'. Ele saiu após uma abordagem e nunca mais foi visto. É um dos casos mais emblemáticos de desaparecimento na história recente de Alagoas", ressaltou o advogado, enfatizando a dimensão simbólica deste caso.

Em uma nota pública divulgada recentemente, o Centro de Defesa da Criança e do Adolescente Zumbi dos Palmares (CEDECA/AL) informou que o novo adiamento reforça a necessidade urgente de um acompanhamento contínuo e atento do caso. A organização não governamental também fez um apelo à sociedade civil e à imprensa local para que acompanhem de perto o julgamento, garantindo transparência e pressionando por uma resolução justa.

O caso de Davi da Silva permanece como uma ferida aberta na comunidade alagoana, simbolizando as lutas por justiça e os desafios enfrentados por famílias de vítimas de desaparecimento. Com o novo prazo estabelecido para maio, resta agora aguardar se, finalmente, após tantos anos, algumas respostas poderão ser obtidas e um mínimo de paz poderá ser alcançado para aqueles que seguem na espera.

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