Advogado de Assange agora defende Maduro em caso de narcoterrorismo nos EUA
Advogado de Assange assume defesa de Nicolás Maduro

O ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, iniciou seu julgamento nos Estados Unidos com uma surpresa no time de defesa. Ao seu lado, na primeira audiência realizada na segunda-feira, 5 de janeiro de 2026, em um tribunal federal de Nova York, estava o renomado advogado americano Barry Pollack, conhecido mundialmente por ter conseguido a libertação do fundador do WikiLeaks, Julian Assange.

Um defensor de alto escalão para um caso complexo

Barry Pollack é uma figura respeitada no cenário jurídico internacional. Sócio do escritório Harris St Laurent & Welscher, localizado no coração financeiro de Wall Street, ele agora assume a tarefa de defender Maduro de acusações gravíssimas. O venezuelano responde por crimes como posse de metralhadoras e dispositivos explosivos, além de conspiração para narcoterrorismo e tráfico de cocaína. As penas, se condenado, podem chegar à prisão perpétua. Maduro já se declarou inocente de todas as acusações.

Em sua primeira atuação no caso, Pollack já apresentou argumentos robustos. Ele questionou a legalidade da captura de Maduro por forças americanas e defendeu que seu cliente tem direito a imunidade como chefe de um Estado soberano. Este ponto é controverso, uma vez que o governo dos Estados Unidos não reconhece Maduro como líder legítimo da Venezuela, referindo-se a ele como um "presidente ilegítimo".

O histórico vitorioso de Barry Pollack

A escolha de Pollack não foi aleatória. O advogado construiu uma carreira sólida especializada em casos complexos e de grande repercussão. Seu feito mais notório ocorreu em 2024, quando conseguiu a liberdade para Julian Assange após mais de uma década de batalhas legais.

Pollack negociou um acordo judicial intricado envolvendo os governos dos Estados Unidos, Reino Unido e Austrália. Pelo acordo, Assange se declarou culpado de conspirar para obter e divulgar documentos confidenciais. Em troca, recebeu uma sentença de 62 meses de prisão, tempo que já havia sido cumprido durante os anos em que ficou asilado na embaixada do Equador em Londres e preso na penitenciária de segurança máxima de Belmarsh. O resultado prático foi o retorno de Assange à Austrália como um homem livre.

Além desse marco, o jurista também garantiu a absolvição em outros casos emblemáticos, como o do ex-contador da Enron, Michael Krautz, e do americano Martin Tankleff, que cumpriu 17 anos injustamente na prisão por um crime que não cometeu.

Expertise além dos tribunais

A atuação de Barry Pollack não se limita aos tribunais. Ele também é professor adjunto na Universidade de Georgetown, foi presidente da National Association of Criminal Defense Lawyers e é membro do prestigiado American College of Trial Lawyers. O ranking Chambers USA o descreve como um profissional "minucioso e perspicaz" que "vive, respira e dorme julgamentos".

Os desafios do novo caso

O processo contra Nicolás Maduro promete ser um dos mais desafiadores da carreira de Pollack. As acusações são graves e o contexto político é extremamente sensível. Enquanto a defesa alega violação de princípios de direito internacional na captura, organizações como a ONU já se manifestaram, indicando que a operação americana na Venezuela pode ter violado um "princípio fundamental" do direito internacional.

O caso coloca em evidência não apenas o futuro do ex-líder venezuelano, mas também testa os limites da jurisdição internacional e a atuação de um dos advogados criminais mais habilidosos da atualidade. O mundo acompanhará para ver se Pollack conseguirá repetir, no caso Maduro, o sucesso estrondoso que obteve na defesa de Julian Assange.