Relator da CPI do Crime Organizado ameaça impeachment de ministros do STF
O senador Alessandro Vieira, do MDB de Sergipe, emitiu um recado contundente sobre a possibilidade de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal. Relator da Comissão Parlamentar de Inquérito do Crime Organizado, o parlamentar apontou problemas graves na conduta de magistrados da mais alta corte do país no caso envolvendo o Banco Master.
Acusações específicas contra ministros do Supremo
Em entrevista concedida ao programa Ponto de Vista da revista VEJA, na terça-feira, 27 de janeiro de 2026, Vieira citou nominalmente os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. O senador afirmou que existem contratos, valores e relações que precisam ser explicadas envolvendo os dois magistrados.
Segundo o relator da CPI, é muito natural que se exija explicações do Poder Judiciário e que este atenda às demandas, seguindo estritamente a lei. Vieira deixou claro que a falta de colaboração por parte da Corte poderia levar a medidas extremas.
Ameaça de impeachment como resposta institucional
O parlamentar foi enfático ao afirmar que, caso o Judiciário não forneça as explicações necessárias, o caminho restante será o impeachment. Ele argumentou que em uma democracia verdadeira não podem existir pessoas acima da lei ou que não possam ser investigadas.
Se não fizer isso, você vai ter um agravamento dessa crise institucional e uma demonstração cabal de que o caminho restante será o impeachment, declarou Vieira durante a entrevista. O senador enfatizou que a situação atual representa um risco para as instituições democráticas.
Investigação ampliada para familiares de ministros
Alessandro Vieira revelou ainda que a CPI do Crime Organizado tem autoridade para investigar familiares de ministros do STF que mantinham negócios com o banco de Daniel Vorcaro. Segundo o parlamentar, a investigação precisa ter todo o alcance possível para desvendar uma aparente organização criminosa.
O senador descreveu uma situação onde, aparentemente, existia uma organização que comprava acesso privilegiado ao poder, abrangendo Executivo, Legislativo e Judiciário. Entre as estratégias utilizadas estariam contratos com escritórios de advocacia, que agora são alvo das investigações da comissão parlamentar.
Contexto da CPI do Crime Organizado
A Comissão Parlamentar de Inquérito tem como objetivo principal desvendar esquemas de acesso privilegiado ao poder. As declarações de Vieira representam um endurecimento significativo no tom das investigações, elevando o debate para o nível mais alto do Judiciário brasileiro.
O caso Banco Master tornou-se um dos focos centrais da CPI, com revelações sobre relações entre figuras poderosas e instituições financeiras sob investigação por atividades irregulares. As ameaças de impeachment feitas pelo relator da comissão marcam um novo capítulo na relação entre Legislativo e Judiciário no Brasil.