O Brasil perdeu uma figura política de relevância neste domingo, 19 de janeiro de 2026. Raul Jungmann, ex-deputado federal e ex-ministro, faleceu aos 73 anos de idade. A informação foi confirmada pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), organização que ele presidia como diretor-presidente. Jungmann enfrentava um câncer de pâncreas.
Uma trajetória marcante na política brasileira
A carreira pública de Raul Jungmann foi extensa e diversa. Ele foi eleito deputado federal por Pernambuco por três mandatos, consolidando sua base política no estado. No entanto, foi no Executivo que seu nome ganhou ainda mais destaque, tendo comandado nada menos que quatro ministérios em duas administrações distintas.
Durante o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC), Jungmann esteve à frente de duas pastas ligadas ao desenvolvimento do campo: Política Fundiária e Desenvolvimento Agrário. Anos mais tarde, no governo de Michel Temer, ele assumiu funções de grande peso e visibilidade, comandando primeiro o Ministério da Defesa e, posteriormente, o Ministério da Segurança Pública.
A visão crítica sobre o crime organizado
Em uma entrevista recente concedida à revista VEJA, Raul Jungmann expôs sua análise contundente sobre os desafios do combate ao crime no país. Com a experiência de quem comandou a Segurança Pública, ele criticou o que considerava um ciclo vicioso no sistema.
"O que se chama de segurança pública no Brasil é funcional ao aumento da violência, da insegurança e do crime organizado", afirmou. Segundo ele, a abordagem se limitava basicamente a tirar criminosos das ruas, mas o passo seguinte era problemático.
Jungmann alertava que cerca de 80% a 90% das penitenciárias estariam sob controle de facções criminosas. Dessa forma, ao serem presos, os indivíduos eram "jogados para os braços das facções". Para sobreviver no ambiente carcerário, os apenados precisariam se associar a um desses grupos, sob risco de morte, violência ou tortura.
O resultado, na visão do ex-ministro, era uma transformação perigosa: "Quando eles voltam para as ruas, há uma mudança: eles não são bandidos isolados, e agora são bandidos a serviço exatamente das facções criminosas". Ele descreveu esse mecanismo como a "máquina de crescer, expandir e fortalecer o crime organizado no Brasil", concluindo que, enquanto ela não fosse desligada, simplesmente "não tem jogo".
O legado de um político experiente
A morte de Raul Jungmann encerra a trajetória de um profissional que transitou por áreas cruciais para o desenvolvimento nacional, do agrário à defesa do território, passando pelo complexo desafio da segurança pública. Suas declarações finais refletem um diagnóstico profundo e preocupado sobre uma das maiores chagas sociais do país.
Sua passagem pela presidência do IBRAM também mostra sua atuação contínua em setores estratégicos, mesmo após os cargos ministeriais. A política brasileira perde um de seus nomes com experiência em múltiplas frentes, cujas análises continuarão a reverberar nos debates sobre o futuro da segurança e da justiça no Brasil.