Vídeo de avô vendendo colar para neta doente é fake; golpe usa IA e imagens antigas
Vídeo de avô vendendo colar para neta é fake; golpe usa IA

Vídeo emocional de avô vendendo colar para neta doente é identificado como falso

Um vídeo que circula nas redes sociais desde o dia 7 de fevereiro, mostrando um avô que afirma vender colares artesanais para pagar um procedimento cardíaco urgente da neta, foi desmascarado como falso. A narrativa emocional, que inclui a história de uma criança que perdeu os pais em um acidente em 2017, é parte de um golpe digital que utiliza inteligência artificial e imagens antigas para enganar os usuários.

Como funciona o golpe emocional nas plataformas digitais

O conteúdo falso aparece como anúncio pago no Facebook, Instagram e Messenger, redes controladas pela Meta. A descrição em português apela para a solidariedade: "Desde 2017, ele cria a neta sozinho e prometeu que ela nunca ficaria sem colo. Agora, ele transformou essa promessa em algo concreto". O vídeo mostra um idoso falando diretamente à câmera, acompanhado de imagens que supostamente retratam momentos da vida com a neta, incluindo cenas em um hospital.

Os anúncios direcionam para um site onde é possível comprar colares por valores entre R$ 40 e R$ 100. O pagamento é feito via PIX para uma intermediadora que não revela o destinatário final. Análises técnicas identificaram que o domínio do site é recente, uma característica comum em golpes, e não há informações sobre CNPJ ou contatos confiáveis. O conteúdo pressiona por pagamento imediato, explorando a emoção dos usuários.

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Investigação revela uso de inteligência artificial e imagens adulteradas

A equipe do Fato ou Fake realizou uma busca reversa com a ferramenta PimEyes, especializada em reconhecimento facial. O rosto do homem no vídeo foi identificado em um conteúdo publicado em 27 de agosto de 2022 no TikTok, onde ele comemorava seu aniversário de 102 anos falando em inglês. As imagens reais, com quatro anos de antiguidade, foram combinadas com cenas fabricadas e adulteradas por inteligência artificial.

O uso da IA foi confirmado pelo SynthID Detector do Google, que identificou marcas d'água indicando conteúdo gerado sinteticamente. As cenas que mostram a criança no colo dos pais, o avô abraçando a neta, momentos no hospital e a confecção dos colares foram todas produzidas com essa tecnologia. Diferente de deepfakes que modificam vídeos existentes, a IA do Google cria cenas hiper-realistas do zero, tornando a detecção mais complexa.

Meta identifica múltiplas propagandas e reforça combate a golpes

Até a noite de quarta-feira (18), a Biblioteca de Anúncios da Meta contabilizou 28 propagandas idênticas veiculando o mesmo vídeo falso. Esses anúncios são distribuídos conforme idade, gênero, localização e interesses dos usuários. Em resposta ao Fato ou Fake, a assessoria da Meta afirmou que "as tentativas de golpes têm aumentado em escala e complexidade nos últimos anos" e que a empresa está testando tecnologia de reconhecimento facial e aplicando políticas para coibir essas atividades.

A declaração da Meta destacou ainda o compromisso em capacitar as pessoas com ferramentas de segurança e alertas disponíveis em suas plataformas. A empresa reforçou que continuará aprimorando a detecção e a aplicação de regras contra golpes digitais, que se tornaram mais persistentes e sofisticados.

Narrativa emocional detalhada no vídeo falso

No vídeo, o homem relata uma história comovente: "Eu prometi que ela nunca ficaria sozinha e hoje tudo que eu faço é para seguir com essa promessa". Ele descreve a perda dos pais da neta em um acidente em 2017, a adaptação como cuidador único e o diagnóstico de uma condição cardíaca que exigiria um procedimento médico. A narrativa enfatiza a luta financeira de um aposentado que busca recursos através da venda de colares feitos à mão durante a noite.

Essa abordagem emocional é uma tática comum em golpes digitais, que buscam pressionar por doações ou compras imediatas sem permitir verificação. Especialistas alertam que conteúdos que apelam para sentimentos fortes, especialmente envolvendo crianças e saúde, devem ser sempre checados antes de qualquer interação financeira.

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O caso serve como alerta para a importância da verificação de informações nas redes sociais, especialmente diante de conteúdos que exploram a solidariedade humana com histórias fabricadas por inteligência artificial.