Trump veta novos ataques de Israel a campo de gás no Golfo Pérsico após escalada
Trump veta novos ataques de Israel a campo de gás no Golfo

Trump veta novos ataques de Israel a campo de gás no Golfo Pérsico após escalada

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vetou Israel de realizar novos ataques ao megacampo de produção de gás natural Pars Sul, local de administração dividida entre Irã e Qatar que fica no meio do golfo Pérsico e foi alvo de ofensiva israelense nesta quarta-feira (18).

Declaração contundente nas redes sociais

"Israel, por raiva do que tem acontecido no Oriente Médio, violentamente atingiu uma grande instalação conhecida como campo de gás Pars Sul no Irã. Os EUA não sabiam nada sobre este ataque em particular, e o Qatar não esteve envolvido de nenhuma forma nem tinha ideia de que ele iria ocorrer", afirmou Trump na rede Truth Social nesta quarta.

O presidente americano foi ainda mais enfático em sua mensagem: "Infelizmente, o Irã não sabia disso, e sem justificativa e injustamente atacou uma parte da instalação de LNG [gás natural liquefeito] do Qatar. ISRAEL NÃO IRÁ REALIZAR NOVOS ATAQUES com relação a esse extremamente importante e valioso campo de Pars Sul, a não ser que o Irã decida atacar o muito inocente Qatar – situação na qual os EUA, com ou sem a ajuda ou consentimento de Israel, vai explodir massivamente a totalidade do campo de Pars Sul com uma quantidade de força e poder que o Irã nunca viu ou testemunhou antes", escreveu Trump.

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Escalada do conflito e retaliações imediatas

O ataque de Israel ao campo gerou nova escalada do conflito no Oriente Médio, prontificando uma retaliação da República Islâmica contra infraestrutura energética de aliados americanos na região, como o Qatar, além de Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

O Qatar tem acesso a 60% das reservas da área do megacampo de Pars Sul, e o Irã é o maior produtor local de gás natural, quase toda produção comprada pela China. Houve incêndio em estações de processamento do gás, controlado após horas.

Antes, Tel Aviv havia matado o homem-forte do regime islâmico, Ali Larijani, e um importante comandante militar, o que levou a uma onda de retaliação mais forte contra Israel e países do golfo. Na sequência, o Irã lançou uma ameaça até aqui inédita: listou uma refinaria e uma petroquímica da Arábia Saudita, um campo de gás dos Emirados Árabes Unidos e três complexos do Qatar.

Impactos no setor energético e preços do petróleo

A publicação de Trump indica a preocupação com seus aliados na região e com os impactos do conflito no setor energético, em momento de extrema incerteza e volatilidade de preços.

As ameaças iranianas a instalações energéticas da região, inclusive de petróleo, e continuidade do bloqueio do estreito de Hormuz fizeram o preço do barril Brent voltar a subir nesta quarta, fechando o dia em alta de 5,85% e cotado a quase US$ 110.

Incidentes em instalações energéticas

No Qatar, houve explosões e um grande incêndio no maior terminal de embarque de gás natural liquefeito do mundo, em Ras Laffan Industrial City. O governo local apenas disse que estava trabalhando contra ataques, e que tinha evacuado unidades de petróleo e gás.

Nos Emirados, o governo relatou queda de destroços nas instalações do campo de gás de Habshan. Ironicamente, pouco antes o governo em Doha havia emitido protestos, ao lado dos Emirados e de Omã, contra a ação israelense, dizendo que ela era "irresponsável e perigosa". Mas, após os relatos de explosões, expulsou o adido militar de Teerã no país.

Contexto político e estratégico

O governo do premiê Binyamin Netanyahu tem escalado operações militares, anunciando inclusive uma política aberta de assassinato de lideranças do Irã. Trump tem se perdido em declarações contraditórias, e isso, segundo analistas do Estado judeu, faz Netanyahu dobrar a aposta no ataque frontal ao regime iraniano.

O Estreito de Hormuz é um trecho de água difícil de atacar e o Irã tem se aproveitado da geografia do local; ao menos 17 navios de carga e petroleiros foram atingidos no Golfo e no estreito, segundo o New York Times, o que explica a dificuldade em reabrir essa via crucial para o transporte de energia.

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