Rússia usa míssil balístico Orechnik e ONU discute crimes de guerra
Rússia usa míssil balístico Orechnik na Ucrânia

O Conselho de Segurança das Nações Unidas terá uma reunião de emergência para discutir a escalada do conflito na Ucrânia, após um novo e devastador ataque russo que atingiu a capital Kiev na noite de quinta para sexta-feira. A informação foi confirmada pela agenda oficial do Conselho, que foi alterada e publicada na sexta-feira à noite.

Ucrânia denuncia "patamar terrível" de crimes de guerra

Em uma carta endereçada ao Conselho de Segurança, à qual a agência France-Presse (AFP) teve acesso, o embaixador da Ucrânia na ONU, Andrii Melnyk, fez uma denúncia grave. Ele afirmou que "a Rússia atingiu um novo e terrível patamar de crimes de guerra e crimes contra a humanidade" com seus recentes ataques contra civis e infraestruturas civis no país.

O diplomata solicitou formalmente a realização da reunião de emergência para tratar do assunto, destacando a gravidade dos bombardeios mais recentes.

Ataques deixam Kiev sem aquecimento e usam míssil inédito

Os bombardeios russos na noite de quinta para sexta-feira tiveram consequências severas para a população civil. De acordo com as autoridades locais, metade dos edifícios residenciais de Kiev ficaram sem aquecimento devido aos danos na infraestrutura. A situação foi tão crítica que o prefeito da capital ucraniana chegou a pedir que os habitantes deixassem a cidade temporariamente.

Além do caos humanitário, o ataque marcou um agravamento técnico no conflito. Pela segunda vez desde o início da guerra, em fevereiro de 2022, as forças russas utilizaram o míssil balístico de médio alcance chamado 'Orechnik'. O embaixador Melnyk destacou na sua carta que a Rússia reivindicou oficialmente o uso desta arma na região de Lviv.

"Esse ataque representa uma ameaça grave e sem precedentes à segurança do continente europeu, minando a estabilidade regional e apresentando sérios riscos à paz e à segurança internacional", alertou o representante ucraniano.

Apoio internacional à convocação da reunião

O pedido da Ucrânia para a sessão de emergência no Conselho de Segurança da ONU não ficou isolado. Segundo fontes diplomáticas consultadas pela AFP, a iniciativa recebeu o apoio imediato de seis membros do órgão:

  • França
  • Reino Unido
  • Letônia
  • Dinamarca
  • Grécia
  • Libéria

Este apoio multilateral demonstra a crescente preocupação da comunidade internacional com a intensificação dos ataques e a introdução de armas de maior capacidade destrutiva no teatro de guerra, o que eleva significativamente os riscos para a população civil e para a segurança regional.

A reunião do Conselho de Segurança deve analisar as acusações de crimes de guerra e discutir possíveis medidas diante da nova fase do conflito, marcada pelo uso do míssil Orechnik e pelos danos massivos à infraestrutura vital das cidades ucranianas.