Putin chama guerra na Ucrânia de 'missão sagrada' em missa de Natal ortodoxa
Putin chama guerra na Ucrânia de 'missão sagrada'

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, utilizou uma cerimônia religiosa para reforçar a narrativa oficial sobre o conflito na Ucrânia. Durante uma missa de Natal da Igreja Ortodoxa Russa, celebrada em 7 de janeiro de 2026, ele se dirigiu a fiéis em uma igreja próxima a Moscou e classificou a guerra como uma "missão sagrada" de defesa da pátria.

Discurso em ambiente religioso com soldados presentes

O pronunciamento ocorreu diante de um público que incluía militares uniformizados, acompanhados de esposas e filhos. Vestindo um terno escuro e sem gravata, Putin discursou entre os presentes, destacando temas como união, caridade e apoio às Forças Armadas russas. Ele fez uma analogia direta entre a figura de Cristo e os soldados russos.

"Muitas vezes chamamos Cristo de Salvador, porque Ele desceu à Terra para salvar seu povo", afirmou o líder russo. "Os guerreiros russos, como se estivessem sob comando do Senhor, cumprem essa missão de defender a terra natal e seus cidadãos, de salvar a pátria e o povo", completou.

Segundo Putin, a sociedade russa historicamente enxerga seus soldados como responsáveis por uma missão que considera sagrada. O discurso acontece quando o conflito se aproxima de completar quatro anos, e o Kremlin tem recorrido sistematicamente ao patriotismo e à religião para sustentar a legitimidade da ofensiva militar, tratada como um dever nacional.

Diplomacia e otimismo cauteloso de Ucrânia e EUA

Enquanto isso, no campo diplomático, há movimentos em direção a um possível acordo. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, demonstrou um otimismo cauteloso em uma mensagem publicada no Telegram. Ele afirmou que um plano de paz estaria "90% pronto".

"Esses 10% restantes, na verdade, contêm tudo. São eles que vão determinar o destino da paz, da Ucrânia e da Europa", disse Zelensky. O líder ucraniano ressaltou que seu país deseja o fim do conflito, mas não "a qualquer preço". Ele defende que um eventual acordo deve incluir garantias de segurança robustas para evitar novas invasões russas no futuro.

O principal ponto de impasse continua sendo a questão territorial, especialmente em relação à região industrial do Donbass. Moscou deseja anexar a área, enquanto Kiev se recusa terminantemente a ceder qualquer parte de seu território.

Força de paz e garantias internacionais em discussão

As negociações para um cessar-fogo também envolvem a formação de uma força de paz para a Ucrânia, uma proposta que já conta com a aprovação de França e Reino Unido. O acordo em discussão prevê que os Estados Unidos atuem como fiadores militares do pacto, mas ainda falta uma resposta definitiva do governo americano.

A Rússia, por sua vez, já se posicionou contra a presença de tropas estrangeiras na Ucrânia, vizinha que considera dentro de sua esfera de influência. O Kremlin vê qualquer deslocamento militar internacional para a região como uma ameaça direta à sua soberania e segurança nacional.

O cenário, portanto, permanece complexo. De um lado, a narrativa russa, agora ainda mais imbricada com símbolos religiosos, busca justificar a continuidade do conflito. Do outro, a Ucrânia e seus aliados ocidentais tentam costurar um acordo de paz que, apesar de avançado, esbarra nos últimos e decisivos 10% de negociação, onde residem as questões mais espinhosas, como fronteiras e segurança de longo prazo.