Ataques de Israel em Gaza matam 13, incluindo 5 crianças, às vésperas de anúncio de Trump
Israel mata 13 em Gaza antes de anúncio de 'conselho de paz' de Trump

Pelo menos 13 pessoas, entre elas cinco crianças, foram mortas em novos ataques israelenses na Faixa de Gaza nesta quinta-feira, 8 de janeiro de 2026. O episódio ocorre em um momento de crescente tensão e acusações mútuas de violação do frágil cessar-fogo vigente, e às vésperas de um importante anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre um plano de paz para a região.

Vítimas e relatos de tragédia no enclave

Segundo informações da Agência de Defesa Civil de Gaza, controlada pelo Hamas, os bombardeios atingiram diferentes áreas do território palestino. Entre as vítimas fatais está uma adolescente de 16 anos e seus dois sobrinhos pequenos, mortos dentro de uma tenda no sul do enclave. Parentes choravam sobre os corpos das vítimas na sexta-feira, 9.

A mãe e avó das crianças, Rudaina al-Qedra, questionou com dor a efetividade dos acordos de paz. "Que segurança? Que trégua?", desabafou em entrevista à Associated Press. Outros relatos confirmam a morte de uma menina de 11 anos nas proximidades do campo de refugiados de Jabaliya, no norte de Gaza.

Justificativa israelense e acusações de violação

As Forças de Defesa de Israel (IDF) afirmaram que realizaram um "ataque de precisão" em resposta ao lançamento de um míssil pelo Hamas em direção a Israel na quarta-feira, 7. O projétil teria falhado e caído dentro do próprio território de Gaza. O Exército israelense declarou que o alvo foi o ponto de lançamento do míssil e que também atacou infraestrutura utilizada por combatentes do grupo no norte e no sul do enclave.

Desde que um cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos entrou em vigor em 10 de outubro, a situação permanece extremamente volátil. Autoridades de saúde em Gaza alegam que ataques israelenses mataram mais de 400 palestinos desde o início da trégua. Israel, por sua vez, defende que suas ações militares são sempre respostas a violações cometidas pelo Hamas.

O plano de Trump e o futuro incerto

O momento dos bombardeios é especialmente sensível, pois ocorre às vésperas do anúncio de Donald Trump sobre a formação de um "conselho de paz". Este órgão, que o próprio Trump deve chefiar, tem como objetivo supervisionar o cessar-fogo e implementar um plano de 21 pontos para encerrar a guerra e estabilizar a região.

O plano americano inclui medidas ambiciosas, como:

  • O estabelecimento de um comitê tecnocrático e apolítico palestino para governar Gaza.
  • O desarmamento completo do Hamas.
  • O envio de uma força internacional de segurança para proteger o território e treinar forças locais.
  • A retirada gradual, mas total, das tropas israelenses de Gaza.
  • A reconstrução completa do enclave devastado.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, anunciou que o diplomata búlgaro Nickolay Mladenov, ex-enviado da ONU para o Oriente Médio, será designado como diretor-geral do conselho. Enquanto isso, moradores de Gaza que retornam a áreas evacuadas relatam o desaparecimento de seus pertences, incluindo barracas, roupas e comida, aprofundando a crise humanitária.

O anúncio oficial das nomeações para o conselho de paz está previsto para a próxima semana, em um teste crucial para a frágil trégua e para a proposta de estabilização liderada pelos Estados Unidos.