Israel ignora cessar-fogo e lança maior ofensiva ao Líbano desde início da guerra
Horas após o anúncio de um cessar-fogo na guerra contra o Irã, Israel ignorou parte da trégua e direcionou esforços militares ao Líbano, lançando o que o premiê Binyamin Netanyahu descreveu como a maior ofensiva contra o país vizinho desde o início do conflito. O saldo, segundo a Defesa Civil libanesa, é de pelo menos 254 mortos e mais de mil feridos, agravando uma crise humanitária que já deslocou mais de um milhão de pessoas.
Reações internacionais e ameaças de ruptura do acordo
Teerã ameaçou abandonar o acordo da véspera caso os ataques ao território libanês não sejam interrompidos, enquanto o presidente do Líbano, Joseph Aoun, afirmou esperar que o país seja incluído na trégua. Nas negociações, o Irã condicionou sua adesão ao fim dos ataques contra seus aliados na região, incluindo o Hezbollah, grupo que arrastou o Líbano para o conflito após atacar Israel em 28 de fevereiro.
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que mediou o plano, afirmou que as partes haviam aceitado um cessar-fogo "em todos os lugares" onde há conflito. No entanto, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que Beirute não faz parte do acordo, e seu vice, J. D. Vance, declarou que "os iranianos precisam dar o próximo passo ou Trump tem opções para voltar à guerra", instando o regime do Irã a negociar "seriamente".
Ofensiva israelense e devastação no Líbano
O Exército de Israel informou ter feito uma ofensiva contra cerca de cem alvos do Hezbollah em diversas regiões do Líbano, incluindo a capital Beirute, o Vale do Beqaa, no leste, e o território ao sul, descrevendo a operação como o "maior ataque" à infraestrutura do grupo desde o início da guerra. A Defesa Civil do Líbano afirmou que 254 pessoas foram mortas, incluindo dezenas de profissionais de saúde, e que 1.165 ficaram feridas.
A Presidência libanesa escreveu, em comunicado, que Israel cometeu um massacre, e o primeiro-ministro Nawaf Salam pediu que países aliados ponham fim aos ataques israelenses. O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, ligou para o comandante do Exército do Paquistão para denunciar o que considerou uma violação do acordo por parte de Israel.
Cenário de caos e crise humanitária
Os ataques desta quarta-feira ocorreram principalmente em áreas civis, segundo Tel Aviv, com explosões em prédios residenciais e edifícios em chamas, incluindo a principal via Corniche al-Mazraa, em Beirute. Imagens verificadas pela Reuters mostram dezenas de moradores e socorristas vasculhando escombros em cidades como Sidon, no sul libanês.
O coordenador do Médicos Sem Fronteiras no Líbano, Christopher Stokes, disse que os ataques são inaceitáveis, com médicos recebendo um grande fluxo de pacientes na capital. "Um paciente chegou ao hospital sem as duas pernas. A situação é caótica", afirmou. Os bombardeios também atingiram Tiro e Nabatieh, no sul, após ordens de retirada de civis.
Declarações e incertezas sobre o futuro
Em pronunciamento, Netanyahu afirmou que o cessar-fogo não incluirá o Hezbollah e, em relação ao Irã, disse que o urânio enriquecido será removido do país por "acordo ou pela força", acrescentando que, mesmo durante a trégua, Tel Aviv mantém o "dedo no gatilho". Diante da incerteza, países como Espanha e França pediram que a trégua inclua o Líbano, com o ministro espanhol José Manuel Albares dizendo que é "inaceitável" que Israel mantenha os ataques.
A Organização das Nações Unidas (ONU) também condenou os bombardeios israelenses, enquanto o Irã prometeu retaliar após o que chamou de "massacre brutal" contra Beirute. Trump, que aceitou a proposta de cessar-fego do Paquistão, havia ameaçado obliterar a infraestrutura civil do Irã, mas baseou sua decisão no compromisso de que o Irã reabra o estreito de Hormuz durante a trégua.
O regime iraniano confirmou que as negociações com os EUA acontecerão em Islamabad a partir da próxima sexta-feira, mas reforçou que este acordo somente será aceito quando os detalhes do plano de dez pontos forem finalizados, não significando o fim imediato da guerra.



