Israel decreta alerta máximo diante de risco de guerra entre EUA e Irã
O governo de Israel determinou nesta quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026, a entrada em alerta máximo de todos os serviços de emergência e segurança do país. A medida ocorre diante dos crescentes indícios de um possível conflito armado entre Estados Unidos e Irã, conforme fontes ouvidas pela emissora CNN. O gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu não fez nenhum anúncio oficial sobre a decisão, mas a emissora pública israelense Kan confirmou os preparativos.
Preparação para ataque coordenado
Segundo informações da Kan, Israel está se preparando ativamente para a possibilidade de receber autorização de Washington para lançar um ataque contra o sistema de mísseis balísticos do Irã. Este movimento representa uma escalada significativa nas tensões regionais, que já estavam elevadas desde a guerra aérea de doze dias ocorrida em junho do ano passado, quando forças americanas e israelenses se aliaram contra a nação persa.
O alerta máximo inclui a mobilização de recursos de defesa civil, hospitais de campanha e protocolos de evacuação em áreas consideradas vulneráveis. Fontes militares israelenses indicam que o país está em estado de prontidão operacional avançada, com unidades especiais posicionadas em pontos estratégicos.
Endurecimento do discurso americano
Mais cedo nesta quarta-feira, a Casa Branca voltou a endurecer seu discurso contra o Irã, afirmando que os Estados Unidos dispõem de "diversos fundamentos legais e estratégicos" que poderiam embasar uma ação militar direta. Simultaneamente, o presidente Donald Trump publicou uma mensagem em rede social alertando que poderia recorrer a bases estratégicas no Oceano Índico caso o regime iraniano não avance nas negociações.
Washington e Teerã mantêm conversações complexas para limitar o programa nuclear iraniano, mas as posições permanecem distantes. Enquanto o Irã insiste que as negociações devem focar exclusivamente na questão nuclear, os Estados Unidos buscam uma abordagem mais ampla que inclua mísseis balísticos e o apoio a grupos armados regionais. A Casa Branca também manifestou preocupação com alegadas violações de direitos humanos no país persa.
Cenário regional instável
Apesar das diferenças, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que as negociações representaram um "bom começo" e devem continuar. A mídia estatal iraniana relatou que a última cúpula terminou com uma "vontade de continuar o diálogo", sem especificar uma data para o próximo encontro.
A crise entre os dois países se intensificou ao longo do último ano, especialmente após a guerra aérea que envolveu ataques americanos contra instalações nucleares iranianas. A situação se agravou com a repressão governamental aos protestos que tomaram o Irã desde o início de 2026, inicialmente motivados pela desvalorização da moeda local e pela crise inflacionária, mas que rapidamente evoluíram para demandas por mudanças políticas profundas.
No auge dos protestos, o presidente Trump ameaçou intervir militarmente em apoio aos manifestantes, declarando que ajuda estava "a caminho". A liderança iraniana está crescentemente preocupada com a possibilidade de que um ataque americano possa quebrar seu controle do poder, levando a população já enfurecida de volta às ruas em protestos massivos.
Movimentação militar significativa
O portal americano Axios publicou uma reportagem indicando que o governo Trump está mais próximo de um grande conflito no Oriente Médio do que a percepção predominante entre a população americana sugere. Segundo a publicação, um eventual embate poderia começar em curto prazo, durar várias semanas e envolver também Israel de forma direta.
Enquanto Israel se prepara para uma ação imediata, fontes americanas disseram ao Axios que as forças armadas dos EUA podem precisar de mais tempo de preparação. Washington mantém atualmente treze navios de guerra na região: um porta-aviões (o USS Abraham Lincoln), nove destróieres e três navios de combate litorâneo. Um funcionário americano ouvido pela agência AFP confirmou que mais embarcações estariam a caminho.
Após ordem direta de Trump no início de fevereiro, o USS Gerald R. Ford - o maior porta-aviões do mundo - encontra-se atualmente no oceano Atlântico rumo ao Oriente Médio, acompanhado por três destróieres. É incomum haver dois porta-aviões americanos simultaneamente na região, cada um com capacidade para transportar dezenas de aviões de combate e tripulações compostas por milhares de marinheiros.
Washington também enviou uma frota significativa de aeronaves, conforme relatórios de inteligência de fontes abertas. Entre as aeronaves destacam-se caças furtivos F-22 Raptor, aviões de combate F-15 e F-16, e aeronaves de reabastecimento em voo KC-135, essenciais para sustentar operações de longo alcance.
A combinação do alerta máximo em Israel com a movimentação militar americana cria um cenário de tensão extrema no Oriente Médio, onde qualquer incidente poderia desencadear um conflito de proporções regionais com consequências imprevisíveis para a estabilidade global.



