Israel ativa alerta máximo de segurança interna diante de risco de guerra entre EUA e Irã
O governo de Israel determinou nesta quarta-feira (18) o alerta máximo de seus serviços de segurança interna e emergência, preparando-se para a eventualidade de uma guerra entre os Estados Unidos e o Irã. Embora não tenha havido mobilização militar imediata para participar do conflito, autoridades israelenses consideram essa ação inevitável caso o presidente americano Donald Trump decida atacar o país persa.
Preparações de emergência em andamento
O alerta, conforme múltiplos relatos na imprensa israelense, inclui o Comando da Frente Interna e os serviços de ambulância e resgate associados. Não houve um anúncio formal do governo do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu, mas uma reunião de gabinete marcada para o domingo (22) foi adiada, indicando a gravidade da situação.
Segundo informações obtidas pela Folha de S.Paulo por meio de um cirurgião que trabalha no Centro Médico da Galiléia, próximo à fronteira com o Líbano, o hospital subterrâneo da localidade já está em prontidão total. A região, situada a poucos quilômetros do vizinho libanês, é alvo constante do grupo Hezbollah durante embates entre essa milícia apoiada pelo Irã e Israel.
Preocupações com retaliações iranianas
O principal temor para os israelenses é a repetição de uma campanha de ataques com mísseis balísticos pelo Irã, caso este seja atacado pelos Estados Unidos. Israel, maior aliado americano no Oriente Médio e uma potência nuclear com cerca de 90 ogivas, é um alvo óbvio para retaliações.
Em junho do ano passado, quando Netanyahu ordenou ataques a alvos do programa nuclear e forças militares iranianas, a teocracia lançou entre 500 e 600 mísseis contra Israel. Quase 90% deles foram abatidos pelos sistemas de defesa israelenses, mas os que conseguiram passar causaram aproximadamente 30 mortes e feriram outras 3.000 pessoas. Do lado iraniano, a ação israelense resultou em cerca de 600 mortos.
Preparações da população e defesas aéreas
Moradores de Tel Aviv e regiões vizinhas já estão checando suas provisões e quartos blindados, preparando-se para a possibilidade de um conflito armado. No ano passado, Israel dominou militarmente os ares durante os confrontos com o Irã, mas há preocupações sobre a capacidade atual de defesa aérea.
Reportagens recentes indicam que os sistemas de defesa israelenses foram usados intensivamente durante os ataques de junho passado, e não houve tempo suficiente para repor completamente os mísseis de interceptação do sistema com três camadas de proteção. O governo israelense não comenta publicamente essa questão, mas reconhece internamente os riscos.
Ameaças adicionais de grupos aliados ao Irã
Além do Irã, Israel teme que rebeldes houthis no Iêmen, atualmente em trégua com o Ocidente desde o cessar-fogo de 2025, possam lançar mísseis contra embarcações no mar Vermelho e também contra território israelense. Os houthis são aliados de Teerã e representam uma ameaça adicional.
O Hezbollah, por sua vez, parece bastante debilitado após uma campanha israelense que dizimou sua liderança e degradou suas capacidades, anteriormente formidáveis em termos regionais. No entanto, o risco para as populações da faixa fronteiriça com o Líbano não é desprezível, exigindo contínua vigilância.
Envolvimento militar israelense
Há uma certeza universal entre analistas de que Netanyahu entrará no conflito se Trump o fizer. O apoio militar israelense é significativo, com cerca de 300 caças disponíveis para incursões, volume semelhante ao que os Estados Unidos terão mobilizado quando seu segundo grupo de porta-aviões chegar à região.
Embora Israel tenha demonstrado superioridade aérea no passado, a teocracia iraniana pode ter ajustado suas táticas e preparativos, especialmente para fins retaliatórios. A situação permanece tensa, com o governo israelense mantendo um estado de alerta elevado enquanto monitora os desenvolvimentos internacionais.



