Hezbollah ataca norte de Israel com foguetes em meio a negociações de paz
O Hezbollah, grupo político e militar xiita baseado no Líbano, voltou a lançar foguetes contra cidades no norte de Israel na madrugada desta sexta-feira (10), horário de Brasília. Os ataques ocorrem em um contexto de divergências sobre o alcance de um cessar-fogo anunciado recentemente entre Estados Unidos, Israel e Irã.
Ataques reivindicados e resposta do Hezbollah
Segundo o Hezbollah, os foguetes foram disparados contra Kiryat Shmona, às 10h no horário local, e também contra Misgav Am, na região da Alta Galileia. O grupo afirmou que os ataques atingiram duas localidades perto da fronteira entre Líbano e Israel. Sirenes de alerta aéreo soaram em Israel, inclusive em Tel Aviv, conforme informou o exército israelense após os lançamentos.
Em comunicado, o Hezbollah reivindicou a autoria de diversos ataques com foguetes e drones, incluindo disparos contra "grupos de soldados" em ambos os lados da fronteira e outro contra uma cidade fronteiriça israelense. O grupo classificou os disparos como uma resposta ao que chamou de "violação" do acordo de trégua, declarando: "Essa resposta continuará até que a agressão israelense-americana contra nosso país e nosso povo cesse".
Negociações de paz em Islamabad sob lockdown
Enquanto os ataques ocorrem, Islamabad, a capital do Paquistão, está em lockdown para receber as reuniões de paz entre Irã e Estados Unidos. O país decretou um feriado de dois dias, que começou na quinta-feira (09), com estradas praticamente desertas e vias principais fechadas por medidas de segurança. Pontos de controle foram montados e a segurança foi intensificada na cidade de 1.9 milhão de habitantes.
O horário da reunião não foi divulgado, mas a expectativa é de que as negociações comecem em breve. Steve Witkoff e Jared Kushner representarão os Estados Unidos, enquanto o Irã, segundo a imprensa estatal, enviará o presidente do parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf. O Paquistão tem atuado como principal intermediário desde o início do conflito.
Cessar-fogo frágil e condições impostas
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na terça-feira um cessar-fogo de duas semanas com o Irã, após pedido do primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif. O Irã aceitou a proposta, mas impôs condições, incluindo a interrupção de ataques contra seu território e a cobrança de taxas inéditas para embarcações no Estreito de Hormuz, coordenada com Omã.
No entanto, no dia seguinte ao anúncio, o Irã acusou Israel de violar o cessar-fogo por continuar bombardeando o Líbano. Tanto Benjamin Netanyahu quanto Donald Trump informaram que Israel não estava incluso na trégua devido ao Hezbollah. Nesta quinta-feira, Israel sinalizou que negociaria separadamente a paz com o Líbano, mas poucas horas depois, Netanyahu afirmou que "não há um cessar-fogo" em curso.
Este cenário complexo destaca a fragilidade das negociações e a escalada de tensões na região, com o Hezbollah mantendo sua postura ofensiva enquanto diplomatas buscam acordos de paz em meio a medidas de segurança extremas.



