EUA fecham espaço aéreo após drones de cartéis mexicanos invadirem fronteira do Texas
O espaço aéreo dos Estados Unidos foi parcialmente fechado na terça-feira, 10 de fevereiro de 2026, após a entrada de drones operados por cartéis mexicanos no território americano, conforme revelado por fontes da agência de notícias Reuters. A medida, descrita como "sem precedentes", levou à suspensão imediata de todas as operações no Aeroporto Internacional de El Paso, localizado na fronteira do Texas com o México.
Suspensão e normalização das operações
A suspensão entrou em vigor às 23h30 do horário local de terça-feira, equivalente às 3h30 de quarta-feira no horário de Brasília, e foi suspensa na manhã seguinte. Durante esse período, a Agência de Aviação Civil (FAA) emitiu um alerta que proibia qualquer piloto de operar aeronaves na área coberta, que incluía todo o espaço aéreo sobre El Paso e a cidade vizinha de Santa Teresa, no Novo México.
O aeroporto confirmou oficialmente o bloqueio através de suas redes sociais, informando que todos os voos, incluindo aviação comercial, de carga e geral, haviam sido suspensos. A restrição, que afetou um raio de 18 quilômetros ao redor do aeroporto e se aplicava acima de 5.486 metros de altitude, pegou passageiros e companhias aéreas de surpresa, deixando milhares de viajantes presos e muitas aeronaves impossibilitadas de decolar ou pousar.
Medidas de segurança e contexto de tensão
De acordo com o aviso da FAA, o espaço aéreo foi classificado como área de defesa nacional, onde aeronaves transgressoras podem ser alvo de força letal se consideradas "uma ameaça iminente à segurança". Além disso, pilotos que violassem a restrição poderiam ser interceptados, detidos e entrevistados por agentes da lei. Oficialmente, a agência não forneceu detalhes específicos sobre as questões de segurança que motivaram o fechamento, mas fontes indicaram que a suspensão estaria diretamente relacionada ao uso de tecnologia antidrone pelo Departamento de Defesa americano para combater cartéis de drogas na fronteira.
Essa situação ocorre em um contexto de crescentes tensões entre os Estados Unidos e seus vizinhos na América Latina, especialmente desde o retorno do presidente Donald Trump à Casa Branca em janeiro de 2025. Em janeiro, Trump afirmou que o México era controlado por cartéis e que Washington poderia atacar alvos terrestres para combatê-los, intensificando as preocupações com segurança regional.
Impacto e precedentes recentes
A FAA havia indicado que poderia manter o espaço aéreo fechado por até dez dias por razões de segurança, mas as operações foram normalizadas mais rapidamente. Passageiros foram orientados a entrar em contato com suas companhias aéreas para obter informações atualizadas sobre o status dos voos. Este incidente segue um padrão de restrições aéreas recentes, como no final do ano passado, quando a FAA limitou voos na região do Caribe devido a operações militares relacionadas à captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro.
Em dezembro, um quase acidente entre uma aeronave de passageiros da JetBlue e um avião-tanque da Força Aérea Americana nas proximidades da Venezuela já havia levantado alertas sobre riscos à segurança aérea em zonas de conflito. O evento em El Paso destaca não apenas os desafios tecnológicos representados pelo uso de drones por cartéis, mas também a complexidade das relações internacionais e a necessidade de medidas robustas de proteção do espaço aéreo em áreas fronteiriças sensíveis.



