Os Estados Unidos realizaram uma nova apreensão de um petroleiro ligado à Venezuela no Caribe, marcando a quinta operação do tipo em um curto espaço de tempo. A ação intensifica a pressão de Washington sobre o setor petrolífero venezuelano e acirra as disputas diplomáticas sobre a legalidade dessas intervenções em alto mar.
Detalhes da Operação no Caribe
O Comando Sul dos Estados Unidos confirmou que suas forças apreenderam sem incidentes o petroleiro identificado como Olina na sexta-feira, 9 de janeiro de 2026. A operação ocorreu em águas internacionais a leste do Mar do Caribe.
De acordo com informações, o navio navegava com uma bandeira falsa do Timor-Leste em uma tentativa de disfarçar sua origem e carga. O Olina já estava na lista de embarcações sancionadas pelo governo americano, suspeita de transportar petróleo russo, também sob embargo.
A secretária do Interior dos EUA, Kristi Noem, divulgou um vídeo da abordagem e descreveu a ação como "segura e eficaz". Em suas declarações, ela afirmou que o petroleiro fazia parte da chamada 'frota fantasma' venezuelana, usada para tentar burlar as sanções internacionais. "As frotas fantasmas não escaparão da justiça", declarou Noem, reforçando o compromisso de fazer cumprir as leis americanas e internacionais.
Cenário de Tensões e Críticas Internacionais
Esta apreensão ocorre em um momento de grande tensão. Apenas dois dias antes, forças americanas haviam interceptado outros dois petroleiros, incluindo o Marinera (ex-Bella-1), que ostentava bandeira russa e foi perseguido desde a costa venezuelana até o Atlântico Norte.
A Rússia reagiu com veemência, classificando a apreensão do Marinera como uma "grave violação" do direito marítimo internacional. Moscou exigiu a libertação da tripulação e acusou os Estados Unidos de elevar as tensões político-militares com um "uso descarado da força".
As ações americanas também foram alvo de críticas nas Nações Unidas. Especialistas da ONU já haviam declarado, em dezembro, que Washington não tem o "direito de impor sanções unilaterais por meio de um bloqueio armado". Eles consideraram o cerco ao petróleo venezuelano uma "agressão armada ilegal" sob a luz do direito internacional.
Contexto Político e Interesses Econômicos
As operações de apreensão fazem parte de uma campanha mais ampla dos EUA após a captura do líder venezuelano Nicolás Maduro. O governo americano, sob a administração Trump, mantém o bloqueio ao petróleo venezuelano enquanto negocia com o governo interino de Delcy Rodríguez.
O objetivo declarado é abrir as vastas reservas de petróleo da Venezuela para empresas dos Estados Unidos. O ex-presidente Donald Trump anunciou um investimento de US$ 100 bilhões no país e garantiu a compra de cerca de 50 milhões de barris a preços reduzidos devido ao embargo. Esse acordo, segundo análises, pode ter desviado carregamentos originalmente destinados à China, aliada de Caracas.
Em um post na Truth Social, Trump afirmou que os EUA e a Venezuela estavam "trabalhando bem juntos" na reconstrução da infraestrutura de petróleo e gás, e citou o cancelamento de uma segunda onda de ataques planejada devido à "cooperação" do governo interino.
Além do Olina e do Marinera, os Estados Unidos já haviam interceptado os petroleiros M Sophia, Skipper e Centuries nas semanas anteriores, consolidando uma estratégia ofensiva que mistura interesses econômicos, disputas geopolíticas e um debate acirrado sobre a legalidade das ações em águas internacionais.