Casa Branca acusa Otan de 'virar as costas' aos EUA na guerra contra o Irã
Em um tom de forte crítica, a Casa Branca acusou nesta quarta-feira, 8 de abril de 2026, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) de falhar no apoio aos Estados Unidos durante o conflito contra o Irã. A declaração foi feita pela porta-voz do governo americano, Karoline Leavitt, horas antes de uma reunião prevista entre o presidente Donald Trump e o secretário-geral da aliança, Mark Rutte, em Washington.
Aliados 'postos à prova e falharam', diz porta-voz
Segundo Leavitt, Trump avalia que os países do bloco foram "postos à prova e falharam" nas últimas semanas, não correspondendo às expectativas de Washington. "É bastante triste que a Otan tenha dado as costas ao povo americano justamente quando esse mesmo povo financia sua defesa", afirmou a porta-voz, em referência ao financiamento militar dos EUA à aliança.
Questionada sobre uma possível saída dos Estados Unidos da Otan, Leavitt confirmou que o tema já foi levantado por Trump e poderia ser discutido no encontro com Rutte. Essa possibilidade reflete as crescentes tensões entre Washington e seus aliados ocidentais.
Medidas consideradas por Trump incluem realocação de tropas
De acordo com informações do jornal The Wall Street Journal, o presidente americano avalia medidas para unir países da Otan diante da falta de apoio. Uma das hipóteses é a transferência de tropas americanas de nações que não deram suporte para outras que se mostraram mais dispostas, como Polônia, Romênia, Lituânia e Grécia.
O plano também inclui a possibilidade de fechar uma base militar dos EUA na Europa, possivelmente na Espanha ou na Alemanha. Essas ações visam pressionar aliados a contribuírem mais com a segurança, especialmente em meio ao fechamento do Estreito de Ormuz, rota por onde passa 20% do petróleo mundial.
Aliados europeus resistem a envolvimento militar
A postura americana, no entanto, não convenceu grande parte dos aliados. O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, afirmou que o país "não será arrastado para uma guerra mais ampla" contra o Irã, embora mantenha diálogo sobre formas de garantir a reabertura do estreito.
Já o chanceler alemão, Friedrich Merz, disse a parlamentares que, embora concorde que o Irã não deve representar uma ameaça, coloca em dúvida a estratégia por trás da ofensiva conduzida por Estados Unidos e Israel. "Até hoje, não há um plano convincente de como essa operação poderia ter sucesso. Washington não nos consultou e não disse que a assistência europeia era necessária", declarou Merz.
A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, reforçou que os países do bloco não têm interesse em ampliar sua atuação militar nem em expor tropas no Estreito de Ormuz, alegando falta de clareza na estratégia americana.
Reunião bilateral e contexto histórico da Otan
Antes do encontro com Trump, o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, se reuniu com o secretário de Estado americano, Marco Rubio. As conversas trataram das operações militares contra o Irã, da guerra na Ucrânia e da necessidade de reforçar a coordenação e a divisão de responsabilidades entre os membros da aliança.
Os Estados Unidos desempenham um papel central na estrutura militar da Otan desde sua criação, em 1949. Apesar disso, Trump tem intensificado as cobranças por maior participação dos aliados, tanto em financiamento quanto em apoio operacional. Em 2025, os demais países do bloco aprovaram um aumento significativo nos gastos com defesa, dentro de um plano com metas até 2035, mas o governo americano mantém o tom crítico, especialmente diante da ofensiva contra o Irã.
Curiosamente, apesar das tensões, Trump costuma elogiar Rutte, a quem chama de "um cara formidável" e "genial", indicando que as relações pessoais podem contrastar com as divergências políticas e militares.



