Rússia ataca Kiev com mísseis hipersônicos Oreshnik; ONU convoca reunião de emergência
Ataque russo com mísseis hipersônicos mata 4 em Kiev

A Rússia realizou um massivo ataque aéreo contra a capital ucraniana, Kiev, nesta sexta-feira, 9 de janeiro de 2026, utilizando seu avançado sistema de mísseis hipersônicos Oreshnik, que possui capacidade para transportar ogivas nucleares. O ataque, que também envolveu o lançamento de centenas de drones, provocou mortes, destruição na infraestrutura energética e levou à convocação de uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU para a próxima segunda-feira (12).

Detalhes do ataque e resposta ucraniana

De acordo com a Força Aérea da Ucrânia, a Rússia lançou um total de 36 mísseis e 242 drones contra território ucraniano durante a ofensiva. As defesas aéreas conseguiram interceptar parte do ataque, mas os mísseis hipersônicos, que viajam a velocidades superiores a cinco vezes a do som, representam um desafio extremo.

As autoridades ucranianas confirmaram que ao menos quatro pessoas morreram e 22 ficaram feridas nos bombardeios. As investidas visaram especificamente a infraestrutura energética que dá suporte ao complexo militar-industrial do país e às fábricas de drones.

O embaixador ucraniano, Andriy Melnyk, enviou uma carta urgente ao Conselho de Segurança da ONU. No documento, ele afirma que "a Federação Russa atingiu um novo e assustador nível de crimes de guerra e crimes contra a humanidade" com o terror perpetrado contra civis e infraestrutura civil.

A justificativa russa e a negação de Kiev

O Ministério da Defesa da Rússia afirmou que o ataque foi uma resposta a uma tentativa ucraniana de atacar a residência do presidente Vladimir Putin na região de Novgorod em dezembro de 2025. Segundo o chanceler russo, Sergei Lavrov, a Ucrânia teria usado 91 drones de longo alcance nos dias 28 e 29 do mês passado.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, negou veementemente as acusações, classificando-as como "mentiras". Zelensky argumentou que a Rússia estaria tentando sabotar os avanços nas negociações de paz com os Estados Unidos e preparando o terreno para novos ataques a edifícios governamentais ucranianos.

O sistema de mísseis Oreshnik, usado no ataque, foi ativado pela primeira vez em novembro de 2024 em um disparo experimental contra uma fábrica em Dnipro. Embora os mísseis tenham capacidade nuclear, não há indicação de que as ogivas usadas no ataque a Kiev fossem desse tipo.

Repercussão internacional e alerta de segurança

O chanceler ucraniano, Andrii Sybiha, alertou que o ataque com mísseis hipersônicos, realizado próximo às fronteiras da União Europeia e da OTAN, representa uma "grave ameaça" à segurança europeia. Sybiha informou que está compartilhando todos os detalhes do ataque com os parceiros dos EUA e da Europa e pedindo que aumentem a pressão sobre a Rússia.

A acusação russa contra a Ucrânia ocorreu um dia após o ex-presidente americano Donald Trump declarar que estava "muito perto" de fechar um plano de paz para o conflito, após uma longa reunião com Zelensky na Flórida. A Ucrânia considera "absurda" a tentativa russa de justificar o ataque hipersônico repetindo a alegação sobre a residência de Putin.

Com a reunião marcada para segunda-feira no Conselho de Segurança da ONU, a comunidade internacional se prepara para mais um capítulo de tensões e discussões sobre um conflito que continua a escalar, introduzindo armas de tecnologia avançada e elevando os riscos para toda a região.