Ataque EUA e Israel ao Irã é a maior operação militar no Oriente Médio desde 2003
Ataque EUA e Israel ao Irã é maior operação desde 2003

Ataque dos EUA e Israel ao Irã marca maior operação militar no Oriente Médio desde 2003

O ataque dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciado na manhã deste sábado (28), representa a maior operação militar no Oriente Médio desde que Washington derrubou o regime de Saddam Hussein no Iraque em 2003. Contudo, a guerra de 2003 foi significativamente maior em escopo, envolvendo uma invasão terrestre que não está nos planos atuais, principalmente devido à ausência de concentração de tropas na região.

Comparação com a guerra do Iraque em 2003

Há 23 anos, a operação inicial contava com ao menos 130 mil soldados americanos, número que posteriormente aumentou para mais de 250 mil. Em contraste, o poderio atual é basicamente aeronaval, com um reforço crucial de Israel. Os Estados Unidos mobilizaram ao menos 18 embarcações para este conflito, incluindo dois grupos de porta-aviões: o USS Abraham Lincoln no mar da Arábia, ao sul do Irã, e o USS Gerald Ford no Mediterrâneo, cobrindo o flanco oeste da ação.

Em 2003, eram cinco grupos de porta-aviões e 55 navios no total, segundo um levantamento do Centro de Estudos Internacionais e Estratégicos dos EUA, incluindo embarcações repletas de fuzileiros navais, um elemento inexistente na operação atual.

Poderio aéreo e estratégias de ataque

Com os reforços enviados desde janeiro para a região, estima-se que haja entre 300 e 500 aviões americanos, talvez metade deles destinados a combate. Ainda não se sabe se houve ataques com bombardeiros furtivos B-2, que, como na ação de junho de 2025, teriam de voar dos EUA para atingir o Irã.

Israel possui cerca de 300 aviões de ataque e uma Aeronáutica com vasta experiência operacional. Segundo as forças israelenses, um grande contingente penetrou o espaço aéreo iraniano, atingindo alvos militares em diversas cidades. Não há detalhes específicos sobre as forças utilizadas nesta manhã, mas presumivelmente incluíram ataques com mísseis de cruzeiro Tomahawk numa primeira leva. Os EUA tinham cerca de 600 desses mísseis nos navios mobilizados na região.

Retaliação iraniana e capacidade defensiva

Do lado do Irã, a rápida retaliação contra ao menos quatro bases americanas na região e Israel seguiu o manual previsto: ondas sucessivas de drones e mísseis balísticos, cuja eficácia ainda está sendo avaliada. Na guerra de 12 dias travada com Israel em junho passado, o Irã viu 86% dos 600 mísseis que lançou serem derrubados, mas os que passaram causaram danos significativos.

Há dúvidas sobre a capacidade de manutenção da poderosa defesa aérea israelense, considerada a melhor do mundo com três camadas distintas, em caso de um conflito prolongado. As estimativas das Forças de Defesa de Israel indicam que os iranianos saíram daquele conflito com ao menos 1.500 mísseis e podem ter construído ao menos 50 por mês desde então, dependendo do modelo.

Riscos e cenários extremos

Aquele conflito anterior focou na destruição de lançadores de armas de longa distância, mas deixou intacto o arsenal de curta distância, que pode facilmente atingir aliados dos EUA e suas forças no golfo Pérsico. Em caso de risco existencial para o regime, o Irã também pode recorrer ao caos no estreito de Hormuz, por onde passam 20% do petróleo e do gás liquefeito do mundo.

Os iranianos militarizaram metade do local com minas e bases de mísseis, mas interditar a via significaria prejudicar sua exportação de petróleo para a aliada China, base de sua renda externa. Entre analistas, no cenário extremo, especula-se sobre o risco de os iranianos empregarem uma chamada bomba suja, ou seja, um artefato nuclear de baixa potência.

Segundo a Agência Internacional de Energia Atômica, o Irã tem ao menos 440,9 kg de urânio enriquecido a 60%, suficiente para produzir de 10 a 15 dessas armas. No entanto, usar tal artefato abriria a porta para uma escalada nuclear, considerando que Israel, embora não declare oficialmente, tem estimadas 90 ogivas atômicas. Este é um cenário improvável, mas não pode ser descartado completamente no contexto atual.