Arábia Saudita relata ataques iranianos a Riad e região leste do país
Arábia Saudita relata ataques iranianos a Riad e leste

Arábia Saudita relata ataques iranianos a Riad e região leste do país

O Ministério das Relações Exteriores da Arábia Saudita emitiu um comunicado oficial neste sábado, 28 de fevereiro de 2026, confirmando que o Irã realizou ataques contra sua capital, Riad, e a região leste do território saudita. Segundo a nota diplomática, as defesas do reino conseguiram neutralizar os ataques, embora detalhes específicos sobre os danos ou métodos utilizados não tenham sido divulgados pelas autoridades.

Condenação diplomática e contexto regional

A chancelaria saudita foi enfática em sua condenação, classificando os ataques como "injustificáveis sob qualquer pretexto". O texto destacou que as ações ocorreram mesmo com o conhecimento prévio do governo iraniano sobre a posição da Arábia Saudita, que havia garantido publicamente que não permitiria o uso de seu espaço aéreo ou território para operações contra o Irã.

Mais cedo no mesmo dia, a Arábia Saudita já havia se manifestado contra o que chamou de "agressão iraniana flagrante" direcionada a outros países da região. Bahrein, Catar, Kuwait, Jordânia e Emirados Árabes Unidos foram alvos de ataques retaliatórios contra bases militares americanas localizadas em seus territórios. O Ministério da Defesa do Catar informou que suas forças armadas interceptaram com sucesso vários mísseis antes que estes alcançassem o espaço aéreo do país.

Resposta iraniana e ataques coordenados

Do lado iraniano, o Ministério das Relações Exteriores emitiu uma declaração condenando o que denominou "agressão militar criminosa" perpetrada pelos Estados Unidos e Israel. A pasta iraniana afirmou que as forças armadas da República Islâmica estão preparadas para uma resposta "com autoridade" contra os agressores, ressaltando que os ataques ocorreram em meio a um processo diplomático em andamento entre Teerã e Washington.

Fontes da televisão estatal israelense KAN, confirmadas posteriormente pela emissora americana CNN, revelaram que os ataques aéreos conjuntos de Estados Unidos e Israel tinham como alvos específicos figuras de alto escalão do governo iraniano. Entre os nomes mencionados estão o líder supremo aiatolá Ali Khamenei, o presidente Masoud Pezeshkian, além de autoridades militares como o Chefe do Estado-Maior Sayyid Abdolrahim Mousavi e secretários de conselhos de defesa e segurança nacional.

Até o momento, não há confirmação oficial sobre possíveis baixas entre as lideranças iranianas. Fontes próximas à agência Reuters indicaram que Khamenei não se encontrava em Teerã durante os ataques, tendo sido transferido para um local seguro. A mídia iraniana também noticiou que o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, está em segurança.

Fundo das tensões: programa nuclear e poderio militar

Os eventos deste sábado ocorrem em um contexto de fracasso nas negociações diplomáticas sobre o programa nuclear iraniano. Na quinta-feira anterior, representantes de Estados Unidos e Irã encerraram seis horas de discussões em Genebra sem avanços concretos sobre a principal exigência americana: o desmantelamento completo das atividades nucleares iranianas.

Um relatório reservado da Agência Internacional de Energia Atômica revelou que o Irã estocou parte de seu urânio altamente enriquecido em uma área subterrânea do complexo nuclear de Isfahan. O material apresenta grau de pureza de até 60%, tecnicamente próximo dos 90% considerados necessários para a produção de armas nucleares.

Paralelamente às dificuldades diplomáticas, os Estados Unidos vêm ampliando significativamente sua presença militar na região. Na quarta-feira, 25 de fevereiro, Washington enviou uma dúzia de caças F-22 para o Oriente Médio, somando-se a uma frota que já incluía dois porta-aviões, doze contratorpedeiros e três embarcações de combate. Esta concentração representa a maior força militar americana na região desde a invasão do Iraque em 2003.

A tensão em torno do programa nuclear iraniano se intensificou após a erosão do acordo de 2015, conhecido como Plano de Ação Conjunto Global. Desde a saída unilateral dos Estados Unidos durante o primeiro mandato de Donald Trump, o Irã vem progressivamente ampliando seus níveis de enriquecimento de urânio e reduzindo a cooperação com inspetores internacionais.