Aprovação à guerra de Trump despenca nos Estados Unidos
Os números são alarmantes para a administração do presidente americano. De acordo com a média das pesquisas compiladas pelo site RealClear, a aprovação dos cidadãos dos Estados Unidos em relação à guerra no Irã atingiu um preocupante patamar de apenas 39%. Em contraste, 54,4% da população declarou discordância do conflito, em um claro sinal de descontentamento.
Em duas das doze pesquisas utilizadas para calcular essa média, o índice de aprovação chegou a cair para apenas 33%, demonstrando uma tendência de rejeição crescente. Este resultado espelha de forma quase perfeita a avaliação geral de Donald Trump, que possui 41,7% de aprovação e 55,1% de opiniões desfavoráveis.
Falta de convencimento e preocupações econômicas
Independentemente das posições pessoais sobre o conflito, é incontestável que o presidente não está conseguindo convencer a maioria dos americanos de que o Irã, com seu programa não secreto de busca por armas nucleares, representava uma ameaça iminente para a segurança nacional. Seu discurso na quarta-feira teve pouco efeito para reverter essa tendência.
A falta de convencimento sobre a necessidade da guerra é agravada por um fatalismo generalizado em relação aos impactos econômicos. Dois terços dos americanos acreditam que o preço da gasolina continuará aumentando, uma preocupação que pesa diretamente no bolso dos cidadãos e alimenta a insatisfação.
Influência da mídia e percepção pública
A opinião majoritariamente negativa é moldada tanto pelas percepções da população quanto pela cobertura da ampla maioria da mídia. O Wall Street Journal, um dos poucos grandes veículos que não se posiciona contra a guerra, observou acidamente: “A cobertura da guerra tem sido tão implacavelmente negativa que os líderes do Irã podem realmente acreditar que estão ganhando”.
Enquanto isso, o tom triunfalista que emana do governo, tanto da Casa Branca quanto do Pentágono, através do secretário da Defesa, Pete Hegseth, criou a impressão de que o regime iraniano havia sido eliminado pela raiz. Embora o nível de destruição militar tenha sido arrasador, com a Marinha e a Força Aérea reduzidas a pó, o regime ainda mantém seus trunfos, como os lançadores de mísseis móveis escondidos em depósitos.
Contraste com Israel e dilema estratégico
As salvas de mísseis lançadas contra Israel durante a Páscoa judaica mostraram que nem o poderoso escudo antimísseis do país é totalmente infalível. Embora o número de mortos tenha sido relativamente baixo, a população israelense enfrenta perturbações constantes, com correria para abrigos antiaéreos e impactos nas atividades econômicas.
No entanto, o apoio israelense à guerra permanece robusto, com 78% da população afirmando que apoia sua continuação. Para Israel, trata-se de uma questão existencial, considerando que uma das razões de existência do regime teocrático iraniano é a eliminação do Estado judaico.
Para os americanos, os clamores por “Morte à América” dos líderes iranianos haviam se tornado parte da paisagem geopolítica, uma ameaça desagradável, mas não percebida como existencial. Dificilmente Trump conseguirá mudar esses sentimentos sem uma grande reviravolta no cenário.
Pressão crescente e opções limitadas
Com o aumento da rejeição da opinião pública, cresce também a pressão para que o presidente declare a missão como encerrada. No entanto, essa medida poderia reforçar o regime iraniano e deixar um ar de desmoralização para os Estados Unidos no cenário internacional.
Segundo analistas, tudo o que Trump não pode fazer é deslocar forças terrestres com objetivos ambiciosos, como a captura de depósitos de urânio enriquecido ou a abertura definitiva do Estreito de Ormuz. O presidente já indicou que Ormuz não é problema dos Estados Unidos, embora sua importância estratégica seja inegável.
Ele fala em duas a três semanas adicionais para completar os objetivos da Operação Fúria Épica, mas deixar para trás um Irã que continua a disparar mísseis contra Israel e países árabes do Golfo representa uma péssima opção estratégica. Por mais que a maioria dos americanos não queira, a guerra se transformou em uma obrigação nacional com consequências complexas e duradouras.



