Influencer argentina acusada de racismo no Rio se reúne com ex-ministra de Milei após retorno
A advogada e influencer argentina Agostina Páez, que enfrenta acusações de injúria racial por um incidente ocorrido em um bar de Ipanema, no Rio de Janeiro, retornou a Buenos Aires nesta quarta-feira, 1° de abril de 2026, após pagar uma caução equivalente a 60 salários mínimos, aproximadamente R$ 97 mil. Logo após sua chegada à capital argentina, ela se reuniu com a senadora Patrícia Bullrich, ex-ministra de Segurança Nacional do governo de Javier Milei, em um encontro que gerou ampla repercussão nas redes sociais.
Encontro político e declarações polêmicas
Na quinta-feira, 2 de abril, Páez publicou uma foto ao lado de Bullrich em suas redes sociais, com a legenda "Obrigada por tudo". A senadora, por sua vez, compartilhou um vídeo com a influencer, afirmando que "houve um grande trabalho dos advogados, o apoio incondicional da família e o suporte do governo" para facilitar o retorno de Páez à Argentina. Bullrich acrescentou, em tom de defesa: "E sim, apesar de algumas mãos sujas e interessadas, ela voltou. Hoje, só há uma coisa importante: ela está aqui".
Ao desembarcar em Buenos Aires, Agostina Páez concedeu uma entrevista a jornalistas, onde descreveu sua experiência no Brasil como um "calvário". Embora tenha expressado arrependimento por "ter reagido desta maneira" durante o conflito no bar, ela negou veementemente ser racista e atribuiu parte da situação à severidade das leis brasileiras. "Há uma lei no Brasil que é muito severa", alegou a advogada, orientando outros turistas a conhecerem as normas do país antes de viajarem. Em tom de lamentação, completou: "Nunca contaram a minha parte da história e sou inimiga pública no Brasil".
Contexto legal e medidas judiciais
O caso judicial teve início em 24 de março de 2026, com a defesa de Páez e o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) concordando que, em caso de condenação, a pena seria cumprida na Argentina. No Brasil, o crime de injúria racial é equiparado ao de racismo, com pena prevista de 2 a 5 anos de prisão, além do pagamento de multa.
As etapas processuais incluíram:
- Prisão inicial em 6 de fevereiro, com liberação horas depois
- Aplicação de medidas cautelares como retenção de passaporte, uso de tornozeleira eletrônica e proibição de deixar o país
- Autorização do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) em 31 de março para o retorno à Argentina, condicionado ao pagamento da caução
O relator do caso considerou que a ré é primária, tem profissão definida e colaborou durante o processo. Como parte das condições, Páez deverá manter endereço e contatos atualizados por meio de seu advogado para receber intimações judiciais, enquanto continua respondendo ao processo em seu país de origem.
Detalhes do incidente em Ipanema
O episódio que deu origem às acusações ocorreu em 14 de janeiro de 2026, em um bar da zona sul do Rio. Segundo a denúncia, a discussão começou devido a um suposto erro no pagamento da conta, levando o gerente do estabelecimento a verificar imagens de câmeras de segurança e solicitar que Páez permanecesse no local até a resolução do problema.
Foi nesse contexto que, conforme registrado em vídeo por um funcionário, a influencer proferiu xingamentos racistas, incluindo o uso do termo "negro" de forma pejorativa e, ao deixar o bar, a palavra "mono" (macaco, em espanhol). As imagens mostram Páez, já na rua, imitando sons e movimentos de macaco, enquanto outra mulher tentava conduzi-la para longe do local.
O caso segue em andamento, com a justiça brasileira e argentina monitorando os desdobramentos, enquanto a repercussão midiática e nas redes sociais continua a gerar debates sobre racismo, turismo e aplicação da lei em casos transfronteiriços.



